Empresa, que tem o CNPJ inválido, deixou de entregar imóveis negociados com clientes. RBS TV tentou contato com os números registrados, mas não foi atendida.

Uma construtora de Gravataí, na Região Metropolitana de Porto Alegre, é suspeita de lesar clientes em várias regiões do estado. As famílias relatam que investiram no pagamento de um imóvel, mas nunca o receberam.

Pela internet, a empresa atraiu compradores de todo o estado. Algumas famílias investiram todo o dinheiro que tinham. Porém, aparentemente, a construtora desapareceu.

No cadastro de pessoas jurídicas da Receita Federal, a empresa Wecasa está em nome de Alexandre Santos Beltrão. A construtora é nova, aberta em dezembro de 2017.

Em maio desse ano, foi considerada inapta, ou seja, está com o CNPJ inválido por não prestar declarações ou apresentar os demonstrativos exigidos pelo governo.

RBS TV foi até o endereço da empresa que consta nos documentos, em Gravataí. A sede não funciona mais no local. O letreiro da foto da fachada, que aparece na internet, também não está lá.

Em um segundo endereço, que consta na página da rede social, vizinhos dizem que a empresa ficou por apenas 15 dias.

A reportagem tentou contato com Alexandre Santos Beltrão, através de números de telefone que constavam em anúncios e documentos. O números chamados não existiam.

A Polícia Civil vai investigar o caso, e pede que quem se considerar lesado registre ocorrência. O responsável pela Delegacia do Consumidor, delegado Joel Wagner, diz que golpistas abrem novas empresas para confundir as vítimas que, dessa forma, não encontram os registros de reclamações ou processos na Justiça.

No ano passado, duas construtoras foram fechadas por aplicar o mesmo golpe. “Várias pessoas já foram indiciadas, estão denunciadas, e algumas delas presas. Por óbvio, temos algumas pessoas que estão nas ruas e muitas delas acabam fazendo o mesmo negócio que faziam antes”, diz.

Relatos de prejuízos

Famílias de várias cidades relataram ter tido prejuízo após comprarem imóveis da empresa. “Ali nós chegamos em uma propaganda muito atrativa da casas, onde tinha uma promoção de fim de ano”, comenta a gestora comercial Fernanda Franco da Silva.

O contrato foi assinado em janeiro do ano passado, no valor de R$ 8,4 mil, por uma casa de dois quartos a ser construída em Canoas, também na Região Metropolitana. O prazo de término da obra era de 60 dias, mas o trabalho não durou muito.

A obra foi interrompida em setembro do ano passado. As paredes têm buracos, o banheiro sequer teria uma janela pra ventilação. A proprietária tentou obter o dinheiro que pagou de volta, mas ninguém mais atendia nos telefones da construtora.

“Cada vez eu via uma coisa diferente, uma equipe diferente. Certa vez não tinha nem prego para os empreiteiros trabalharem, meu esposo teve que comprar para eles darem seguimento na obra”, diz Fernanda.

A professora Viviane Oliveira de Lima e o analista de seguros Jeferson da Silva Ennes queriam uma casa em Capela de Santana, e acharam a oferta ideal na internet. “O custo era bom, valor acessível”, disse ele.

Viviane começou a trabalhar os três turnos para pagar a construtora, já que seu marido havia perdido o emprego.

“Ele pegou o fundo de garantia dele, a indenização, e nós demos uma entrada, um depósito, no valor de R$ 20 mil, na conta da empresa, da Wecasa. E o restante, 54 cheques, no valor de R$ 1.110,96”, comenta. Era todo o dinheiro que o casal tinha.

Cinco meses depois da assinatura do contrato, a obra ainda não havia começado. “Eu disse assim [aos representantes da empresa]: ‘pelo menos enquanto essa obra não iniciar, esses cheques não podem continuar compensando’. Ele disse ‘pode ficar tranquila, que os cheques não vão compensar’. Quando foi na semana seguinte, o cheque entrou novamente”, relembra.

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