De acordo com o delegado Fernando Soares, um dos responsáveis pelo caso, os cinco ataques foram feitos por um homem branco, magro e de cerca de 25 anos. Polícia ainda não sabe o que motivou a escolha das vítimas.

Imagens de câmeras de segurança flagraram um carro branco no local dos ataques. — Foto: Reprodução/RBS TV
Imagens de câmeras de segurança flagraram um carro branco no local dos ataques. — Foto: Reprodução/RBS TV

A Polícia Civil segue a investigação para identificar o homem que jogou um líquido corrosivo em cinco pessoas, na Zona Sul de Porto Alegre, na semana passada. De acordo com o delegado Fernando Soares, um dos responsáveis pelo caso, das quatro vítimas, apenas uma delas diz ter visto duas pessoas no carro.

“É um cidadão magro, em torno de 25 anos, branco. Em uma das ocorrências, a vítima afirma de forma categórica que eram duas pessoas. Um motorista e quem atingiu foi o passageiro. Pode ser uma escolha aleatória com vítimas que estejam andando sozinhas, em locais ermos, onde não tenha nenhuma testemunha.”

A policia descartou uma ligação entre as vítimas.

“Também chegamos à conclusão de que nenhuma das vítimas mantém vínculo entre elas. Ninguém conhece ninguém. Seja de relacionamento pessoal, particular, individual. Não existe esse relacionamento”.

Os ataques começaram na quarta-feira à noite (19), na Rua Santa Flora, no bairro Nonoai. Um homem de bicicleta jogou o líquido no rosto da primeira vítima, às 23h10. Na sexta-feira (21), em menos de uma hora foram quatro ataques de carro. Dois no bairro Aberta dos Morros. E outros dois, no local do primeiro ataque.

A polícia trabalha para identificar a placa de um carro branco que aparece nas imagens de uma câmera de segurança, a única encontrada até agora. Algumas vítimas disseram à polícia que o veículo é um HB20.

As imagens registraram o momento que mulher caminha, do outro lado da rua. É Gladis Nievinski, atingida na sexta-feira (21). A vítima confirma que é ela na gravação.

O ataque, que aconteceu momentos depois, não foi registrado pela câmera. “Ele andou com o carro e foi para o meu lado na rua”, conta.

O delegado diz que as câmeras dos locais próximos aos ataques não têm dados arquivados, são apenas de imagens instantâneas. O próximo passo da polícia será listar as prováveis rotas que o suspeito teria feito para verificar, em imagens do cercamento eletrônico de Porto Alegre, a placa do veículo.

As cinco vítimas dos ataques, quatro mulheres e um jovem de 17 anos, já prestaram depoimento na delegacia. Duas delas foram ouvidas novamente, nesta segunda-feira (24), para dar mais detalhes sobre o suspeito. Os casos são investigados pela 13ª Delegacia de Polícia Civil, na Zona Sul.

De acordo com o delegado, também foram enviados, na segunda, as roupas das vítimas para perícia. A intenção é descobrir que tipo de substância foi utilizada nos ataques.

“Tenho certeza que face a prioridade, face a gravidade do fato, que extrapola a simples lesão corporal, de uma lesão corporal gravíssima, porque nós teremos exames complementares, poderão ter sequelas irreversíveis. Em virtude da forma cruel como aconteceu, sem chance de defesa para a vitima, quem sabe poderemos enquadrar em outro tipo penal voltado para tortura, alguma coisa nesse sentido”, explicou o delegado.

G1 conversou com quatro vítimas. Confira aqui todos os relatos.

‘Achei que tinha caído meu rosto’

Bruna estava próximo de casa quando foi atacada pelo homem. — Foto: Arquivo pessoal
Bruna estava próximo de casa quando foi atacada pelo homem. — Foto: Arquivo pessoal

Bruna Machado Maia, 27 anos, foi atacada na noite de quarta-feira (19), quando caminhava perto de casa, no bairro Nonoai. Ela teve o rosto e parte do braço queimados.

“Quando eu olhei meu casaco eu me desesperei, já achei que tinha caído meu rosto, já tinha me queimado, feito buraco”, lembra.

Num primeiro momento, a mulher pensou que estava sendo assaltada.

“Esperou eu passar para se aproximar. Ele estava de bicicleta preta. Ele era bem branco, magro, sem barba, sem bigode, sem nada. Não vi cabelo por causa do capuz. Ele estava com um moletom todo branco, calça escura e sapato escuro”.

“Ele falou ‘olha a água’. No reflexo, eu botei a mão e consegui proteger só meu olho, mas no rosto em si, pegou”.

‘Fiquei com muita dor e desnorteada’

Somente na manhã de sexta-feira (21), três mulheres e um jovem procuraram a polícia. Entre elas, Tássia Steinmetz, 33 anos, atacada por volta das 7h20. Ao G1, ela disse que não conseguiu ver o rosto do homem que jogou o líquido.

“Estava indo me exercitar e estava com fones de ouvido. Acho que ele me atacou pelas costas, então não vi nada. Na hora não entendi o que aconteceu. Fiquei com muita dor e desnorteada”, relata.

Tássia não conseguiu ver o rosto do agressor. — Foto: Arquivo pessoal
Tássia não conseguiu ver o rosto do agressor. — Foto: Arquivo pessoal

‘Fiquei apavorada’

Outra vítima atacada na manhã de sexta é Gladis Nievinski, de 48 anos. Ela conta que ia ao trabalho, a pé, quando percebeu que um carro branco havia estacionado, no lado oposto da calçada. “Pensei ‘alguém chegou de Uber’. Uns 50 metros depois, percebi que esse carro veio para o meu lado”, relata.

“Pensei ‘não vou olhar, ele vai falar uma gracinha’. Nisso, senti algo no rosto. Pensei ‘sacana, cuspiu em mim’. Passei a mão e começou a arder”, contou. Seu pescoço e uma parte do rosto foram atingidos pelo líquido, transparente, sem cheiro e com aspecto pegajoso, conforme ela descreve. A substância pegou também em seu casaco. “Ficou estraçalhado”, comenta.

Vítima sofreu queimaduras em parte do rosto e pescoço após ataque com líquido corrosivo em Porto Alegre  — Foto: Arquivo pessoal
Vítima sofreu queimaduras em parte do rosto e pescoço após ataque com líquido corrosivo em Porto Alegre — Foto: Arquivo pessoal

‘Por sorte estava com casaco grosso’

Também na sexta-feira, um adolescente de 17 anos foi surpreendido por um homem, também em um carro branco, que lhe arremessou um líquido. Leonardo Fassina Klock conta que, inicialmente, achou que seria assaltado, como pensaram outras vítimas. Ele caminhava até um ponto de ônibus, onde aguardaria um coletivo para ir do bairro Aberta dos Morros ao Centro da cidade.

“Quando ele chegou no meu lado, deu uma freada e estava com o vidro aberto já, era um rapaz só. E ele me arremessou um líquido, parecia um desodorante ou uma pistolinha de água. Quando arremessou, começou a queimar. Meu braço começou a arder e meu rosto meio que ardia. Pensei que era spray de pimenta”, lembra.

“Ele não disse nada, simplesmente abriu a janela e jogou em mim. Uma situação muito estranha, eu fiquei sem entender.”

Leonardo mostra agasalho furado pelo líquido que foi jogado nele em Porto Alegre — Foto: Arquivo pessoal
Leonardo mostra agasalho furado pelo líquido que foi jogado nele em Porto Alegre — Foto: Arquivo pessoal

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