Conforme acusação, Husen Kasem Khaled foi o mandante da morte da mulher Sônia Khaled, de 44 anos. Crime teria motivação financeira. Nesta quarta, a sessão deve ter o debate entre a defesa e a acusação, votos dos jurados e, por fim, a divulgação da sentença.

Segundo dia de julgamento está ocorrendo nesta quarta (3) — Foto: Alfredo Perez/RBS TV
Segundo dia de julgamento está ocorrendo nesta quarta (3) — Foto: Alfredo Perez/RBS TV

O segundo dia de julgamento popular do homem acusado de simular um assalto e planejar a morte da esposa foi retomado, na manhã desta quarta-feira (3), em São Borja, na Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul. Conforme a acusação, Husen Kasem Khaled foi o mandante da morte da mulher Sônia Khaled, de 44 anos. O crime teria motivação financeira.

A sessão deve ter o debate entre a defesa e a acusação, votos dos jurados e, por fim, a divulgação da sentença.

Nesta quarta, continua também o julgamento de Valdemir Trindade Rodrigues, acusado de ter participação no crime, conforme a denúncia. Os réus Bruno Silveira Aires e Maurício Mariano serão julgados a partir de quinta-feira (4), devido a um acordo entre o Ministério Público e o Judiciário.

Mais três acusados, Tiago Vargas Motta, Jean Aldemar de Ávila Weber e José Carlos Neves Moreira, serão julgados em uma outra sessão, que ainda não tem data prevista para acontecer.

Primeiro dia de julgamento

Na terça-feira (2), foram ouvidas três testemunhas da acusação: dois filhos e o irmão da vítima. Depois, Husen foi interrogado.

Ele assumiu ter planejado a invasão na residência, mas disse que só roubaria o dinheiro, em função de dificuldades financeiras. A decisão de matar a mulher não partiu dele, conforme o réu. “Nós queremos provar com elementos que já existem no processo que o cliente Husein jamais mandou matar sua esposa”, diz o advogado do réu, Rodrigo Mariano da Rocha.

A advogada de Valdemir também nega a participação de seu cliente no assassinato. “O Valdemir nunca teve interesse em cometer o homicídio de ninguém, então ele não participou de homicídio”, disse Josiane Balbe.

Julgamento do caso ocorre em São Borja

Julgamento do caso ocorre em São Borja

Como foi o crime

Segundo a denúncia do Ministério Público, Husen ofereceu dinheiro aos réus para que matassem a mulher. O crime ocorreu no dia 6 de novembro de 2015. O marido buscou Tiago e Bruno de carro e os levou para a casa da vítima.

No local, Husen abriu o portão para a dupla, que rendeu e amarrou Sônia. Ele também foi amarrado, para simular um assalto.

A mulher foi colocada no banco de trás do carro de Husen e levada até a Rua Coronel Tristão de Araújo Nóbrega, onde foi executada.

Os réus responderão por homicídio qualificado – motivo torpe, meio cruel, recurso que dificultou a vítima, e contra a mulher por razões da condição do sexo feminino.

Em seu depoimento, Tiago, que aceitou delação premiada, declarou que Husen ofereceu R$ 50 mil a Bruno para que confirmasse que se tratava de latrocínio.

Disse que foi procurado por Jean e Valdemir para participar do crime. Ele confirmou ainda que Husen foi o mandante e que eles deveriam simular um assalto em que o comerciante também figurasse como vítima. Maurício era a pessoa que sabia de todos os detalhes do plano.

Antes do fato, Valdemir, Jean, Maurício, José e Tiago se reuniram na oficina de Jean para detalhar o plano. De acordo com Tiago, inicialmente, a ordem era apenas “dar um susto” na vítima, mas que, na última hora, Husen determinou que matassem a esposa. Jean e Valdemir teriam discordado. Bruno, então, se ofereceu para cometer o crime.

Segundo a acusação do MP, Sônia levou quatro tiros pelas costas, disparados por Bruno. “O Ministério Público em plenário vai fazer uma análise técnica sobre todos os elementos que foram colhidos ao longo de toda a instrução e sustentará a existência de provas suficientes pra condenação nos exatos termos da denúncia”, afirmou o promotor do caso, Fabrício Allegretti.

Na época, moradores de São Borja fizeram um protesto pedindo justiça. Familiares da empresária promoveram uma caminhada pelas ruas do município.

O que diz o MP sobre cada acusado

  • Husen – planejou o crime e ajudou na execução. Ofereceu aos demais réus dinheiro para que matassem Sônia. Levou Tiago e Bruno até a casa do casal, na noite de 6 e maio de 2015, onde foi simulado um assalto. Indicou melhor local, horário, dia e meios para a concretização do feminicídio.
  • Maurício – ajudou Husen nos detalhes do planejamento do crime e recrutou os cúmplices
  • Bruno e Tiago – renderam Sônia e a levaram até a Rua Coronel Tristão de Araújo Nóbrega, local onde foi executada. Bruno foi o autor dos disparos (4 ao total) e das duas facadas dadas pelas costas, que resultaram na morte da vítima.
  • Jean – usou a sua oficina mecânica como local de reunião para planejar a execução do crime. Fez o resgate de Bruno, depois que este matou Sônia. Ajudou Maurício na escolha do local onde a vítima seria executada. A mando de Husen e de Maurício, contatou Tiago para participar do crime.
  • Valdemir – emprestou sua motocicleta para José resgatar Tiago após o crime. Conduziu Maurício até o ginásio onde foram acertados os detalhes com Husen, momentos antes do crime. A mando de Husen e de Maurício, contatou Tiago para participar do crime.
  • José Carlos – fez o resgate de Tiago após a execução da vítima.

Qualificadoras

  • Motivo torpe – Husen agiu por interesses econômicos e financeiros, mediante promessa de recompensa para os outros seis acusados.
  • Meio cruel – foram efetuados diversos disparos de arma de fogo, inclusive pelas costas, e golpes de arma branca na vítima, que se encontrava com as mãos atadas e no chão.
  • Recurso que dificultou a defesa – a vítima Sônia foi abordada dentro de sua própria casa, no momento em que se encontrava orando. Além disso, foi alvejada, inicialmente, pelas costas e, após, no chão, com as mãos atadas e completamente indefesa.
  • Crime foi cometido contra a mulher por razões da condição de sexo feminino (feminicídio) – acusado Husen praticava, constantemente, agressões físicas e psicológicas, sempre com objetivo de menosprezá-la e subjugá-la a suas arbitrárias pretensões.

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