Jurandir Trein de Moura foi morto em agosto de 2017. Ainda não há data para o julgamento.

Corpo foi encontrado dentro de rio em Caxias do Sul — Foto: Edgar Vaz / Rádio Caxias
Corpo foi encontrado dentro de rio em Caxias do Sul — Foto: Edgar Vaz / Rádio Caxias

A juíza Gabriela Irigon Pereira, da 1ª Vara Criminal da Comarca de Caxias do Sul, determinou que três pessoas sejam submetidas ao Tribunal do Júri pela morte de Jurandir Trein de Moura, assassinado em agosto de 2017. Entre os acusados do crime está a irmã da vítima.

O Tribunal do Júri é composto por pessoas da comunidade, que participam da sentença proferida por um juiz.

A decisão saiu no dia 12 de julho. Ainda não há uma data definida para o julgamento. Segundo a sentença de pronúncia, emitida pela juíza, os três réus Andrei dos Santos Fischborn, Lucas Porto e Juliana Trein de Moura, que é irmã de Jurandir, vão responder por homicídio qualificado e ocultação de cadáver.

G1 conversou com o advogado de Juliana, Ricardo Pereira Cantergi. Ele informou que a sua cliente alega inocência, que não há provas que a colocam na data do fato, e que ela amava o irmão. “Vamos provar isso no Plenário do Júri”, acrescentou o advogado.

Os outros dois réus são representados por defensores públicos. A reportagem entrou em contato com a Defensoria, que emitiu uma nota informando que “interpôs recurso em sentido estrito, pois acredita que há a possibilidade de uma reforma da sentença de primeiro grau e impronúncia dos acusados, e reitera que fez o pedido de liberdade dos réus para que aguardem o trâmite do recurso em liberdade”.

A denúncia foi recebida em 22 de fevereiro de 2018, ocasião em que foi decretada a prisão preventiva dos denunciados. Os três foram presos.

Tempo depois, Juliana conseguiu a substituição da preventiva por prisão domiciliar, e foi solta. Mas, em junho do ano passado, o Tribunal de Justiça revogou a prisão domiciliar e expediu novo mandado de prisão. Atualmente, a ré está foragida. Os demais acusados continuam presos.

Esse é um dos casos registrados há dois anos no Monitor da Violência, do G1, que acompanha mortes violentas que aconteceram na semana de 21 a 27 de agosto. A cada ano, a reportagem confere o avanço nas investigações.

A denúncia

Segundo a denúncia do Ministério Público, o crime ocorreu no dia 22 de agosto de 2017, entre 1h e 2h da madrugada, na Zona Rural do município de Caxias do Sul. Andrei e Lucas, mandados por Juliana, arrombaram a residência de Jurandir e, sob a mira de uma arma de fogo, o levaram até a Ponte do Raposo. No local, eles mataram a vítima com diversos golpes no pescoço, na cabeça e nas costas.

Conforme o MP, o crime ocorreu por dois motivos torpes. O primeiro deles é uma represália a um desentendimento que houve, no dia anterior, entre Juliana e seu irmão.

Segundo a denúncia, eles teriam brigado porque Andrei fundiu o motor de um automóvel que foi emprestado por Jurandir. O segundo motivo seria porque, em meio ao desentendimento, para o qual foi acionada a Brigada Militar, Jurandir informou aos agentes policiais sobre um suposto narcotráfico praticado por Andrei e Juliana.

“O delito foi perpetrado por meio cruel, visando a impingir à vítima sofrimento desmedido, com reiterados golpes, inclusive na cabeça e no pescoço, com ruptura da jugular direita e ruptura submandibular direita”, informa a denúncia do MP, que consta na sentença de pronúncia.

“O ilícito foi praticado mediante recurso que dificultou a defesa do ofendido, já que a vítima foi levada, sob mira de arma de fogo, desarmada, ao local ermo em que abatida, em superioridade de forças, tudo a reduzir sua capacidade de reagir, dificultada assim em sua defesa”, acrescenta a denúncia.

O Ministério Público ainda informou que os denunciados ocultaram o cadáver de Jurandir. Após terem matado a vítima, jogaram o corpo dentro do Rio Caí, onde acabou sendo encontrado.

O que dizem os réus

Na sentença de pronúncia, consta que o réu Lucas Porto declarou no interrogatório que não matou Jurandir e não participou do fato delituoso. “Afirmou que na noite dos fatos trabalhou até por volta de uma hora da manhã, e tinha uma carga horária de 16 horas diárias. Disse que conhecia Andrei do terreiro de macumba que frequentavam e não conhecia Juliana, tampouco Jurandir. Afirmou, também, que estava respondendo um processo por tráfico e foi condenado no regime semiaberto”, informa o documento.

O réu Andrei dos Santos Fischborn reservou-se ao direito de permanecer em silêncio.

Juliana não foi interrogada porque está foragida. À polícia, a acusada declarou que tinha um bom relacionamento com o irmão, mas esporadicamente ocorriam desentendimentos entre eles devido a questões financeiras. Ela contou ainda que, no domingo antes do homicídio, Jurandir e Andrei brigaram por causa do automóvel que teve o motor fundido ao ser usado por Andrei e, devido à discussão, chamou seu pai para resolver a situação, e mais tarde a Brigada Militar foi acionada.

A ré relatou que Jurandir e a esposa dele eram usuários de cocaína, que gastavam todo o dinheiro com drogas, e não sobrava para pagar as contas, por isso, as brigas eram frequentes. Também disse que Jurandir seria uma pessoa explosiva e brigava muito com a esposa, inclusive com agressões físicas.

Juliana contou ainda que, dias depois, na terça-feira pela manhã, a cunhada estava batendo na porta dela, pedindo ajuda porque Jurandir havia desaparecido. Ele teria saído para caçar e não havia retornado. A ré disse que registrou a ocorrência do desaparecimento do irmão porque a cunhada havia perdido o celular.

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