Interino do Ministério da Saúde, ministro afirmou que a mudança no método de divulgação era somente uma proposta do governo. Mas durante o debate com parlamentares, Pazuello acabou dando informações contraditórias. Eduardo Pazuello dá explicações sobre os números da pandemia no Congresso
Uma hora depois, o ministro interino Eduardo Pazuello foi ao Congresso dar explicações sobre os números da pandemia e voltou atrás. Ele disse que a mudança no método de divulgação era somente uma proposta do governo.
Eduardo Pazuello repetiu de forma resumida aos deputados a apresentação que fez na reunião ministerial e insistiu que não omitiu nenhuma informação sobre o total de óbitos diários nos novos boletins do Ministério da Saúde. Mas logo na primeira pergunta, a relatora da Comissão da Câmara, deputada Carmem Zanotto, do Cidadania, pediu mais esclarecimentos sobre as mortes que só são confirmadas dias depois por causa da demora do resultado dos exames.
“O Ministério da Saúde vai continuar registrando os casos que estavam aguardando confirmação diagnóstica? De que forma?”, perguntou Carmem Zanotto.
O ministro interino repetiu que todas as informações estavam no site e que bastava saber olhar os números. A resposta não satisfez o presidente da Câmara que voltou a cobrar do governo transparência na divulgação dos dados.
“Nós estamos aqui pelo problema claro de comunicação do governo com a sociedade, com os governadores, com os prefeitos e com o Parlamento. O que nós queremos, todos nós — sei que vossa excelência também. E agradeço mais uma vez a sua presença — é que todos os brasileiros tenham a transparência na divulgação desses dados. O que ocorreu nos últimos dias foi exatamente o contrário, pelo menos do ponto de vista da relação de diálogo do governo com o Parlamento e com a sociedade. Nós queremos organizar de uma forma que saiamos hoje daqui com a tranquilidade de que os dados apresentados são os dados que apresentam, como o senhor falou, de forma online, o número de contaminados e, infelizmente, o número de óbitos — com toda a nossa solidariedade, como o senhor mesmo colocou”, disse Rodrigo Maia, presidente da Câmara.
Pazuello então disse que a mudança para divulgação de mortes por coronavírus pela data em que ocorreram, em vez de quando foram notificadas, uma medida anunciada em nota no domingo (7) e reiterada em entrevista dos técnicos do ministério, era apenas uma proposta.
“Isso é uma proposta, uma mudança. Para trás não mudamos nada. Até hoje não mudados nada e nem vamos mudar nada”, afirmou.
A oposição contestou a afirmação do ministro de que os dados estavam facilmente visíveis. O deputado Jorge Solla, do PT, questionou a ausência do número total de mortos pela pandemia no site criado pelo ministério.
“Eu chequei agora, ministro, o site do Ministério da Saúde continua sem apresentar os dados somatórios. O senhor, por favor, peça aos seus subordinados do ministério que cumpra essa sua determinação de transparência, porque o ‘covid.saude,gov.br’ continua tendo apenas os casos e óbitos novos das últimas 24 horas”, destacou.
E a líder do PSOL, Fernanda Melchionna, insistiu no tema.
“O ministro não respondeu claramente a pergunta da deputada Carmen. Então eu vou ser clara. Sobre os óbitos: os dois registros estão lá de forma transparente?”, disse.
O ministro interino da Saúde respondeu em seguida. Pediu desculpas a Jorge Solla porque tinha acabado de ser informado por assessores que os dados do site só iriam estar totalmente disponíveis em 48 horas. Reafirmou que o governo divulga todas as mortes e voltou a dizer que na nova plataforma, as mortes serão lançadas nas datas em que ocorrerem.
“Não tem: esconder um dado ou chegou um registro lá na frente, o cara morreu, dez dias depois chega o registro. Vai ser atualizado, vai lançar o registro e vai atualizar na data de quando o cara veio a óbito”, defendeu Pazuello.
O deputado General Peternelli, do PSL, foi um dos parlamentares a apoiar a mudança na divulgação de dados.
“Não tenho dúvida. Tem que ser por data de ocorrência do fato. Como ele é um gráfico e vai mostrar consolidado todos os dados que a pessoa quiser. Se ela colocar o mouse sobre o ponto, tem o total de mortes”, afirmou.
Ao fim do debate, que durou quatro horas, o ministro Pazuello disse que o novo modelo de divulgação atenderá a determinação do Supremo. Sem falar explicitamente que as mortes serão contabilizadas pela data de notificação, o ministro afirmou que na nova plataforma também trará também os dados como eram divulgados desde o início da pandemia.
“Já está colocado no nosso boletim informativo ali também uma página onde aparecem os dados exatamente como estavam antes. Então, não vai precisar nem me obrigar a cumprir. Já está. Vai ser cumprido imediatamente”, explicou.
Correção
Na reportagem, o Jornal Nacional diz que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, não ficou satisfeito com uma resposta do ministro de que todas as informações sobre a pandemia estavam no site do ministério.
Na verdade, a cobrança de Maia por transparência na divulgação dos dados foi feita depois da explanação inicial de Pazuello e antes de o ministro responder as perguntas.
O Jornal Nacional pede desculpas ao deputado Rodrigo Maia, ao ministro Pazuello e a você, nosso telespectador.

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