Pesquisa cruzou os dados de morte por coronavírus e síndrome respiratória aguda grave por causa inespecífica, ou seja, já descartando os casos de influenza e pneumonia. Mortes por síndrome respiratória aguda grave é quase 12 vezes maior do que por Covid-19
Algumas capitais com menos mortes registradas por Covid têm um número de óbitos muito maior atribuído à síndrome respiratória aguda grave até 12 vezes maior.
A pesquisa cruzou os dados de morte por Covid-19 e síndrome respiratória aguda grave por causa inespecífica, ou seja, já descartando os casos de influenza e pneumonia. A análise foi feita a pedido do jornal “Folha de S.Paulo”.
A conclusão mostra que em Campo Grande, por exemplo, até o fim de maio, havia quase 12 vezes mais registros de morte por síndrome respiratória aguda grave do que por Covid-19. Na capital mineira e em Curitiba, esse número é cinco vezes maior.
Um gráfico mostra a diferença registrada em Belo Horizonte. Quando a cidade teve a primeira morte por Covid-19 divulgada, já havia 36 mortes por síndrome respiratória aguda grave.
Em Minas Gerais, são feitos em média 239 exames por dia, apenas 6% da capacidade total de testagem. Segundo o próprio governo, há condições de se testar mais de 3.500 pessoas diariamente, só que a Secretaria Estadual de Saúde diz que prefere guardar os testes para quando o número de casos crescer demais.
“Os nossos laboratórios, hoje, eles têm uma capacidade grande de testagem, maior do que a demanda que nós temos atualmente, baseado nos critérios que nós adotamos. Já, por outro lado, os insumos que nós temos hoje são insumos que estão dimensionados para o momento do pico da epidemia, e nos preocupa muito nós invertermos a testagem, correndo o risco de consumir os insumos neste momento e faltar material para o futuro”, afirma Carlos Eduardo Amaral, secretário estadual de Saúde/MG.
É com base nos números de transmissão e morte que muitos prefeitos decidem flexibilizar ou não o isolamento social.
“Não adianta a gente dizer que estamos bem porque estamos com poucas mortes por Covid e daí a pouco tem 300 pessoas que morreram por síndrome respiratória, o que não é bom. São pessoas morrendo também, é importante olhar esses dois lados para ter uma visão mais real do que está acontecendo. O problema não é chamar de Covid ou não chamar de Covid a morte. O problema não é o nome da causa da morte, o problema é que as pessoas estão morrendo de uma doença respiratória, morrendo sem conseguir respirar, chame-se isso por nome que for, mas, às vezes, a impressão que dá é que, para o governo, que se chamar de Covid, se não chamar de Covid, não é um problema. Isso é bastante complicado”, avalia Marcelo Soares, diretor da Lagom Data.
A pesquisa mostrou que nas capitais onde há mais testes sendo feitos a relação entre o número de mortes por Covid-19 e síndrome respiratória aguda grave é bem diferente. Rio Branco registra 17 mortes por Covid para cada caso de síndrome respiratória. Em Macapá, o número de mortes por Covid é quase quatro vezes maior.
O infectologista Leandro Curi diz que a testagem é essencial para que os governos possam definir as políticas de saúde com fundamento na realidade.
A Secretaria de Saúde de Mato Grosso do Sul e a prefeitura de Campo Grande declararam que não há subnotificação e que todos os mortos sob suspeitas de Covid no estado foram testados.
A prefeitura de Curitiba afirma o mesmo e que o aumento das mortes por síndrome respiratória ocorreu porque os serviços de saúde agora estão incluindo nas notificações doenças que antes não eram listadas nesse grupo.

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