No relatório anterior, de maio, o déficit havia sido projetado em R$ 571,4 bilhões, pela mediana dos prognósticos. Economistas consultados pelo Ministério da Economia pioraram expressivamente sua estimativa para o rombo primário do governo central (Tesouro, Banco Central e Previdência Social) neste ano a R$ 708,8 bilhões, conforme Prisma Fiscal divulgado nesta sexta-feira (12).
No relatório anterior, de maio, o déficit havia sido projetado em R$ 571,4 bilhões, pela mediana dos prognósticos. O dado mais recente também veio acima da última estimativa oficial do Ministério da Economia, de rombo de R$ 675,7 bilhões para o governo central neste ano.
O ajuste vem a reboque de novo crescimento calculado para as despesas, refletindo forte impacto da crise do coronavírus sobre a atividade e as ações do governo para tentar mitigá-lo.
No Prisma, com dados coletados até o quinto dia útil deste mês, os economistas elevaram em R$ 85 bilhões os gastos previstos para 2020, a um total de R$ 1,8 trilhão de reais. Já para a receita líquida, linha que desconta as transferências a Estados e municípios, o cálculo foi de queda de R$ 22,1 bilhões, a R$ 1,1 trilhão.
A meta para o governo central neste ano é de déficit de R$ 124,1 bilhões, mas o governo não precisará cumpri-la em função do estado de calamidade pública. Para 2021, economistas também pioraram suas estimativas a um rombo de R$ 200 bilhões, frente ao patamar de R$ 169,4 bilhões da previsão anterior.
O governo fixou meta de déficit primário de R$ 149,6 bilhões para o ano que vem, mas pediu flexibilidade no projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para que ela seja mudada sempre que as receitas para o próximo ano forem recalculadas, já admitindo que o oitavo déficit anual consecutivo do país deve ser muito pior.
Com a deterioração das contas públicas, a expectativa agora é que a dívida bruta sobre o Produto Interno Bruto (PIB) suba a 92,68% em 2020 e a 92,79% em 2021. No Prisma anterior, as projeções eram de 89,95% e 88,60%, respectivamente.

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