Terceira live do G1 teve participação da psicanalista Regina Navarro Lins e do escritor Fabrício Carpinejar em debate sobre o futuro dos relacionamentos após quarentena. Agora é assim? Como serão os relacionamentos pós-pandemia?
É difícil prever exatamente quais serão as mudanças nos relacionamentos após o fim da pandemia do novo coronavírus, mas deve haver um aumento da importância das individualidades. Assista a como foi no vídeo acima.
Esse foi o principal ponto comum entre os convidados da terceira live “Agora é assim?”, do G1, nesta sexta-feira (12).
Participaram a psicanalista e escritora Regina Navarro Lins, autora de 12 livros sobre relacionamentos amorosos e sexuais, e o poeta e cronista Fabrício Carpinejar, que escreveu mais de 40 livros, muitos deles sobre relacionamentos afetivos.
“É fundamental o respeito à individualidade do outro. Uma relação só pode ser satisfatória se houver um respeito total ao jeito do outro ser, do outro pensar, se comportar”, afirmou Navarro.
“O amor romântico é idealizado, e isso pode estar acabando. Ele não tem nada a ver com mandar flores, tem a ver com as expectativas. O amor romântico é o oposto da individualidade.”
Ela acredita ser difícil prever quais as maiores mudanças nos relacionamentos, mas pode haver uma abertura.
“E está levando com ele (o amor romântico) a sua exigência básica, que é a exclusividade”, disse a psicanalista.
“As pessoas vão desenvolver a capacidade de ficar bem sozinhas”, diz psicanalista
“Outras formas de amar vão começar a crescer, como amor a três, poliamor, relações mais livres, mas vamos ter que esperar um tempo para poder ver isso.”
Carpinejar concorda sobre a individualidade, mas não segue o mesmo raciocínio em relação às novas formas.
“A gente tem uma dificuldade, um certo analfabetismo emocional, para levar a sério. Porque o poliamor não é ficar na gandaia. É um compromisso”, afirmou ele.
“As pessoas têm uma ideia de que o poliamor é uma espécie de suingue divertido, liberado.”
Para o escritor, preocupações com higiene e medo de um novo período de solidão vai causar motivações contrárias.
“O que eu vejo que pode acontecer a partir desse ciclo que vivemos, que não temos ideia de quando vai acabar, é uma onda conservadora. Acho que as pessoas, a partir da higiene, ou do medo do contágio ou de uma nova quarentena, vão querer se casar.”
Com isso, segundo o escritor o mundo terá dois grupos, os recém-separados e os que se casaram por medo de ficarem sozinhos em uma nova quarentena.
“O ideal no isolamento é ficar sozinho no quarto por uma hora”, diz Carpinejar
Redescoberta
Ao longo da conversa, os convidados também falaram sobre como os casais estão se redescobrindo durante o isolamento social.
“Não é fácil ficar 24 horas por dia, 7 dias por semana, convivendo com uma pessoa que você não tinha o costume de ter esse contato”, disse Lins. “Você começa a perceber aspectos na personalidade do outro que você desconhecia.”
Ela comparou a tensão com uma viagem com amigos, no qual se passa um mês dividindo um quarto de hotel e no fim acaba a amizade.
“Tem outra coisa, um fator que quase ninguém fala: o sexo no casamento. E tem casais que uma das partes quer e a outra não quer.”
Por isso que Carpinejar recomendou que as pessoas não devem se casar apaixonadas.
“Casar quando você está apaixonado é a suspensão do juízo. Então depois de meses você conhece de verdade a pessoa. Às vezes ela volta a ser o que era quando solteira e você descobre quem ela era de verdade.”
“O poliamor não é cair na gandaia, é um compromisso”, diz Fabrício Carpinejar
O fim do amante
Lins lembrou que há outro problema para quem divide a quarentena com o parceiro.
“Recebo mensagens de pessoas casadas, que estão juntas o tempo inteiro, e dizem que tinham um namorado que encontravam uma vez por semana e isso fazia o casamento melhor”, contou a psicanalista.
“Os amantes de ferraram”, brincou o escritor.
“Eu não gosto de uma relação que é baseada na mentira. As pessoas que têm um namoradinho sem contar. A gente precisa construir cada vez mais a nossa vida baseada em verdades, para não sofrer”
Por fim, ele reforçou que as pessoas devem desenvolver suas individualidades para terem relacionamentos saudáveis.
“Então é preciso não ter somente uma fonte de felicidade, manter sua rede de amigos e família próxima. Não se isolar. Amor não é uma ilha deserta.”

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