O Eu Fiscalizo, desenvolvido por pesquisadora da Fiocruz, é mais um recurso que propõe combater desinformação na Internet. De acordo com o aplicativo Eu Fiscalizo, o maior número de ‘fake news’ sobre o Covid-19 circula pelo WhatsApp
Divulgação
Água fervida com alho serve como tratamento para o coronavírus. Álcool em gel pode ser feito em casa com apenas dois ingredientes. O vírus exposto a uma temperatura superior a 26 graus morre. Essas informações sobre a pandemia, que circulam com frequência em grupos de WhatsApp, representam 98% das notificações no aplicativo Eu Fiscalizo, que recebe denúncias diárias sobre fake news e conteúdos inadequados envolvendo violência, drogas, violação dos direitos humanos e nudez presentes nas redes sociais, cinema, emissoras de TV, publicidades, jogos eletrônicos, entre outros.
Desenvolvido por uma pesquisadora de Santos, Claudia Pereira Galhardi, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o Eu Fiscalizo foi lançado pouco antes da pandemia e está disponível para Android e iOS. A intenção é que ele seja uma arma no combate à desinformação. “Minha preocupação maior era que a sociedade tivesse poder de voz”, diz Claudia.
Na primeira fase de estudo dos dados recebidos pelo aplicativo, entre os dias 17 de março e 10 de abril, a pesquisadora constatou que 65% das informações falsas denunciadas no Eu Fiscalizo indicavam métodos caseiros para evitar o contágio da Covid-19, enquanto 20% se relacionavam à cura da doença. A segunda fase foi realizada entre 11 de abril e 13 de maio. Dessa vez, 24,6% das denúncias indicavam que o coronavírus era uma estratégia política, e outros 7,2% se relacionavam a mensagens contrárias ao isolamento social.
Para a pesquisadora Claudia Galhardi, “fake news também é um vírus que vai continuar se propagando”
Arquivo pessoal/Claudia Galhardi
O número crescente de informações falsas sobre o coronavírus preocupa Claudia Galhardi, que alerta para as consequências negativas. “Quando falamos de saúde pública, é algo muito mais sensível. Fake news também é um vírus que vai continuar se propagando”.
A maioria das denúncias, 73,7%, vem de mensagens que circulam pelo WhatsApp. O Facebook (15,8%) e o Instagram (10,8%) vêm na sequência. Para utilizar o Eu Fiscalizo, é preciso fazer o download do aplicativo na Play Store ou App Store e se cadastrar. Além de poder registar comentários, é possível anexar imagens que comprovem a circulação de notícias falsas.
A denúncia recebida passa por uma filtragem, feita pela própria Fiocruz e por duas agências de checagem parceiras do projeto. “Não é simplesmente olhar para a notificação e julgar se isso é verdade ou não. São selecionadas as que têm provas, como fotos de redes sociais, e aplicados método de análise. As fake news selecionadas são as que apresentam fontes. Por exemplo, além das fotos, prints das telas, links e gravação”, reforça Claudia.
A pesquisadora da Fiocruz diz que, futuramente, haverá um site que será alimentado de informações e pesquisas, e o cidadão será notificado. “Espero que as notícias verdadeiras e desmistificadas também sejam compartilhadas. O compartilhamento não precisa, necessariamente, ser com quem tem o aplicativo. É preciso munir a sociedade de conhecimento, informação e ferramentas de diálogo”, finaliza.
* Com supervisão de Alexandre Lopes, Eduardo Cavalcanti e Lidiane Diniz

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