Muitos brasileiros ainda aguardam o pagamento das primeiras parcelas. Defensoria Pública da União já abriu 71 mil processos de assistência jurídica sobre o benefício. Auxílio emergencial: governo começa a pagar 3ª parcela a trabalhadores do Bolsa Família
O governo começou a pagar, nesta quarta-feira (17), a terceira parcela do auxílio emergencial aos inscritos no Bolsa Família, mas quase 2,5 milhões de brasileiros ainda estão esperando os primeiros dois pagamentos.
O governo promete concluir o pagamento da terceira parcela até o dia 30 de junho, liberando a ajuda de R$ 600 ou R$ 1.200 para 13,5 milhões de famílias inscritas no Bolsa Família. Mas o Ministério da Cidadania ainda não informou quando vai pagar essa terceira parcela para os outros beneficiários com direito: os trabalhadores informais e os que estão no Cadastro Único do governo federal. Tem gente que ainda nem recebeu a primeira parcela.
Paula Lima é mãe solteira e está desempregada há dois anos. Ela fez o cadastro em abril, mas o pedido foi negado porque o governo diz que outra pessoa da família dela já recebeu. Paula diz que a mãe recebeu, mas não mora com ela há anos.
“Mas como, sendo que minha família, agora, sou eu e o meu filho? Eu já moro sozinha há oito anos. No aplicativo da Caixa que eu baixei, está esse ‘negado’ e motivo ‘já recebeu’. E não dá para eu refazer porque diz CPF já cadastrado. Não é justo. Eu achei muito injusto e não tem onde contestar. E eu estou precisando”, lamenta.
Solange Saldanha é costureira e está sem renda. Ela recebeu a primeira parcela, mas não a segunda. Diz que o aplicativo da Caixa informa que o dinheiro saiu no dia 10 de junho, mas até hoje não caiu na conta dela.
“Está difícil porque o benefício é uma ajuda, é uma emergência mesmo, para gente comer. As contas não param de chegar e a gente está passando sufoco mesmo”, conta.
O governo diz que liberou o dinheiro para mais de 63 milhões de pessoas desde o início de abril, mas 2,45 milhões pedidos ainda aguardam análise da Dataprev para saber se vão receber o auxílio.
A Defensoria Pública da União já abriu 71 mil processos para apoiar pessoas que tentaram e não conseguiram receber o auxílio por algum problema no cadastro.
A Defensoria fechou um acordo com o Ministério da Cidadania e, a partir de segunda-feira (22), defensores em 70 cidades do país terão acesso a uma plataforma para analisar os dados.
“Os bancos de dados não estão sempre atualizados. É justamente para algumas dessas hipóteses de banco de dados que não refletem mais a realidade que a Defensoria então vai poder apresentar documentos, alguns documentos específicos, e esses documentos vão poder sobrepujar o banco de dados que está defasado”, explica Atanásio Lucero, defensor nacional dos Direitos Humanos.
Enquanto esses brasileiros ainda tentam comprovar que têm direito à ajuda, o governo federal promete estender o pagamento do auxílio emergencial. No começo de junho, o presidente Jair Bolsonaro disse que vai prorrogar o pagamento por mais dois meses, mas não entrou em detalhes. A tendência é que essas duas novas parcelas sejam menores, de R$ 300. O presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia, defende o pagamento de duas ou três parcelas no valor integral de R$ 600.
O Ministério da Cidadania informou que Paula Lima pode recorrer à Defensoria da União com os documentos e contestar a negativa para o pedido de benefício. Sobre Solange Saldanha, a Caixa informou que faz o depósito na conta do banco indicado pelo beneficiado.

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