Queiroz foi localizado num endereço registrado como sendo escritório de Wassef, em Atibaia. Frederick Wassef faz a defesa de Flávio Bolsonaro na investigação sobre a chamada ‘rachadinha’. Frederick Wassef, advogado de Flávio Bolsonaro, repetia não saber onde estava Queiroz
Frederick Wassef é homem de confiança da família Bolsonaro. A casa em que Fabrício Queiroz estava pertence ao escritório de advocacia de Wassef.
O advogado Frederick Wassef conheceu Jair Bolsonaro em 2014. Era um admirador do então deputado federal. Wassef diz que, na época, procurou Bolsonaro para falar das pautas defendidas pelo atual presidente e se colocou à disposição dele. Começou aí o processo de aproximação.
Em 2014, ele disse ter atuado como um consultor jurídico de Bolsonaro no caso da deputada Maria do Rosário, do PT. Bolsonaro foi condenado a se retratar e pagar R$ 10 mil de indenização por danos morais à deputada por ter afirmado que Maria do Rosário não merecia ser estuprada porque a considerava “muito feia”.
De lá para cá, os laços com a família Bolsonaro se estreitaram. E, em 2018, Wassef passou a ser um homem de confiança do presidente e dos filhos. Participou dos bastidores da campanha eleitoral e, após a posse de Bolsonaro como presidente, continuou em contato permanente com a família.
Wassef é escalado com frequência para fazer a defesa do presidente em entrevistas à imprensa sobre assuntos jurídicos. Ele saiu em defesa de Bolsonaro, por exemplo, no caso do porteiro que deu depoimento contestado sobre os suspeitos de matar a vereadora Marielle Franco e seu motorista, Anderson Gomes. Bolsonaro não é investigado nesse caso.
Wassef diz que atuou na defesa do presidente no inquérito da facada. Mas o nome dele não aparece no acompanhamento processual. Apesar disso, a atuação dele nesse caso já foi confirmada pelo Palácio do Planalto e pelo próprio presidente.
No dia 30 de setembro de 2019, jornalistas perguntaram ao então porta-voz, Otávio Rêgo Barros, o que o advogado de Flávio Bolsonaro foi fazer no Palácio da Alvorada no fim de semana anterior. Dois dias antes, um sábado, o Jornal Nacional registrou a chegada de Wassef no Palácio, num encontro fora da agenda. O porta-voz afirmou que ele era advogado do presidente no inquérito sobre a facada.
Repórter: O advogado do Flávio Bolsonaro, filho do presidente, esteve no Alvorada nesse fim de semana. Eu queria saber se o presidente Bolsonaro tem interferido de alguma forma na atuação do advogado em relação ao caso Queiroz.
Otávio Rêgo Barros: Não, o advogado é advogado do presidente Jair Messias Bolsonaro, que firmou uma procuração para que o advogado o represente no Tribunal Regional Federal 1, no caso da tentativa de assassinato do senhor Adélio ao nosso presidente da República.
Em uma entrevista no dia 20 de dezembro, o próprio presidente confirmou que Wassef era seu advogado no caso da facada.
Repórter: Presidente, o senhor recebeu hoje o advogado do Flávio. O que os senhores discutiram?
Jair Bolsonaro: Não, eu recebi o advogado do Jair Bolsonaro, que trata do caso Adélio.
Apesar disso, em nota, a advogada Karina Kufa afirmou que todas as ações do presidente Jair Bolsonaro, sejam elas cíveis, criminais ou eleitorais, exceto as de competência da Advocacia-Geral da União, estão sob responsabilidade do escritório dela, e que Frederick Wassef não presta serviços em nenhuma ação do presidente nem é integrante do escritório.
Wassef faz a defesa do atual senador Flávio Bolsonaro, filho do presidente, na investigação sobre a “rachadinha”, inquérito do Ministério Público do Rio de Janeiro que levou, nesta quinta (18), à prisão de Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio. Queiroz foi localizado num endereço registrado na OAB como sendo escritório de Wassef em Atibaia.
Em 2019, em entrevista ao programa “Em Foco Com Andréia Sadi”, na GloboNews, Wassef disse que não sabia onde Queiroz estava.
Mas, naquela época, segundo relatou o caseiro à polícia, Queiroz já estava na casa que pertence a Wassef em Atibaia.
Andréia Sadi: Dr. Fred, o senhor vai negar, claro. Mas o senhor hoje é um dos homens forte do presidente Bolsonaro. Eu tenho uma pergunta para o senhor, como defensor desse discurso de combate à corrupção que o senhor contou aqui no programa, que foi uma das coisas que o aproximaram do presidente. Como fica esse discurso do combate à corrupção com esse sumiço do Queiroz? Eu queria que o senhor explicasse isso, por que as pessoas perguntam. O senhor não tem redes sociais, mas, como o senhor sabe, acompanhando o senador Flávio, que as pessoas cobram isso, explicações do Fabrício Queiroz sobre tudo isso que o senhor está falando, a movimentação atípica, os assessores dentro do gabinete, os suspeitos de familiares de milicianos que trabalhavam lá. Como é que fica esse discurso?
Frederick Wassef: Então, vamos lá, é importante lembrarmos que não existe a frase “o sumiço do Fabrício Queiroz”. Isso não corresponde à verdade real.
Sadi: Mas onde ele está?
Wassef: Fabrício? Eu não sei, eu não sou advogado dele. Eu vou dizer o seguinte: Fabrício Queiroz compareceu, sim, ao Ministério Público, jamais, pelo que eu tenho documentado nos autos, jamais Fabrício Queiroz deixou de comparecer a qualquer intimação ou chamada do Poder Público do Rio de Janeiro. Sempre esteve presente.
No dia 20 de maio, ele foi questionado sobre o paradeiro de Queiroz em outra entrevista, ao portal UOL.
Repórter: Se o Queiroz não tivesse importância nenhuma, ele podia aparecer. Podia…
Wassef: Eu também acho. Eu também acho que ele podia aparecer.
E apareceu, na casa do advogado, que ainda não explicou por que Queiroz estava lá há um ano, segundo a polícia. Investigadores afirmaram à TV Globo que Wassef foi visto nessa mesma casa durante campana feita pela polícia antes de deflagrar a operação.
O advogado mora em Brasília e, desde a posse de Bolsonaro, é visto com frequência no Palácio do Planalto e no Palácio da Alvorada, residência oficial do presidente, durante a semana, no fim de semana e em feriados. Desde 2019, a agenda do presidente só registrou três encontros oficiais com Wassef. Mas ele já esteve pelo menos 13 vezes no Planalto ou no Alvorada.
No dia 27 de setembro de 2019, Wassef entrou sozinho em um carro no Palácio da Alvorada. Em dezembro de 2019, ele esteve em dois dias seguidos em encontros com Bolsonaro, um no Palácio do Planalto e outro, já no sábado, no Alvorada.
Em outra imagem, também em 2019, dia 11 de dezembro, o advogado chegou ao Palácio da Alvorada à noite, também sozinho. Os dois encontros não entraram na agenda oficial do presidente.
No dia 28 de abril de 2020, em entrevista à Rádio Gaúcha, o advogado confirmou a proximidade com o presidente e sua família. “Eu moro em Brasília e estou no dia a dia aqui com o presidente e com a família Bolsonaro. Eu conheço tudo que tramita na família Bolsonaro”, disse.
No dia 14 de maio, a agenda do presidente Jair Bolsonaro tinha horário com Frederick Wassef, entre 14h15 e 14h30, no Palácio do Planalto.
Quando esteve no Palácio do Planalto em maio, o advogado foi questionado sobre a suposta interferência do presidente na Polícia Federal, e mais uma vez saiu em defesa de Bolsonaro. “Só vou dizer o seguinte: não, jamais existiu interferência do presidente da República na Polícia Federal”, afirmou.
Wassef também frequenta o dia a dia dos atos do governo. Na quarta (17), ele esteve na posse do ministro das Comunicações, Fábio Faria, e a equipe do Jornal Nacional o registrou transitando pelo salão nobre.
Nesta quinta (18), o advogado passou a manhã em uma casa. O Jornal Nacional tentou falar com Wassef, mas ele não atendeu.
A Ordem dos Advogados do Brasil disse que não vai se manifestar sobre a prisão de Queiroz na casa do advogado, porque esse episódio pode ser contestado e analisado, em última instância, pela OAB.
A Seccional de São Paulo da Ordem dos Advogados do Brasil declarou que, depois da conclusão das investigações, o Tribunal de Ética da entidade vai avaliar uma eventual falta ética do advogado Frederick Wassef.

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