Boa Vista concentra 78% dos casos de coronavírus no estado enquanto avança para o pico da doença. Prefeitura informou que estendeu horário de atendimentos em 8 postos e justificou que ‘por estarmos vivendo uma pandemia, a espera por atendimento é normal.’ Tenda montada para pacientes aguardarem consulta na UBS Silvio Botelho.
Juliana Dama/G1 RR
Pacientes com sintomas de Covid-19 relatam demora de até 12 horas em busca por atendimento nos postos de saúde de Boa Vista. Com o avanço de casos no estado, o G1 percorreu quatro das oito unidades destinadas exclusivamente para o diagnóstico da doença nesta quinta-feira (18) e ouviu queixas sobre filas por testes rápidos e consultas médicas.
Há casos em que os pacientes atravessam a cidade para serem atendidos. Um desses foi o da empregada doméstica Neuzilene Alves, de 39 anos. Moradora do Senador Hélio Campos, na zona Oeste, ela disse que só conseguiu atendimento no posto do Paraviana, zona Leste, área nobre da cidade.
Com dor no corpo, febre, dor de cabeça, sem olfato e paladar, Neuzilene chegou a buscar atendimento no próprio bairro, mas, como não conseguiu foi na unidade perto de onde trabalha, distante cerca de 17 KM de casa. Ela conta que teve de esperar 7 horas para se consultar.
“Moro no Senador Hélio Campos, vim fazer o teste aqui porque fica perto do trabalho e porque não consegui no bairro. Fiz a consulta na terça-feira [no Paraviana]. No dia, cheguei às 6h da manhã e saí 13h. Hoje, voltei para fazer o exame, cheguei ao meio-dia e saí quase agora [15h30]”, disse.
Neuzilene Alves, de 39 anos, só foi atendida após sete horas de espera na UBS Silvio Botelho
Valéria Oliveira/G1 RR
Em nota, a Prefeitura de Boa Vista informou que a cidade “está vivendo o pico da doença e estamos apenas na primeira semana de atendimento específico para covid-19 em oito unidades.”
“Para se ter uma ideia, apenas nesta quinta-feira, 2.408 pessoas foram atendidas nos 33 postos de saúde. Em 2013, apenas 7 UBS’s funcionavam em Boa Vista. Também foram feitos 894 testes rápidos, sendo que 478 deram positivos.” (Leia a nota na íntegra abaixo)
Pacientes aguardando atendimento na UBS São Vicente
Juliana Dama/G1 RR
Outros pacientes também relataram demora na unidade básica de saúde Olenka Macellaro, no Caimbé, na zona Oeste. Um motorista, de 59 anos, que pediu para não ser identificado, afirmou que chegou no posto às 8h30 e foi atendido por volta das 16h. Ele é morador do bairro Liberdade.
“Passei duas semanas mal, com febre, dor no corpo, falta de paladar e fraqueza. Hoje fui confirmado com a doença. O atendimento é difícil porque o corpo médico é pequeno”, afirmou, enquanto segurava o diagnóstico positivo e esperava na fila pela consulta com o médico.
Já uma dona de casa, de 57 anos, relatou que há três dias esperou 12 horas para fazer o teste na UBS do Equatorial, também na zona Oeste. Com o diagnóstico positivo, ela foi até o Olenka em busca de ser atendida por um médico. Ela mora no bairro Alvorada.
“Cheguei lá [Equatorial] 6h da manhã e saí 18h. Depois, fui encaminhada para cá porque lá não tinha médico e preciso fazer a consulta para pegar os medicamentos”, disse.
Em uma transmissão ao vivo nas redes sociais nesta quinta, a prefeita Teresa Surita (MDB) afirmou que os postos da capital têm atendido cerca de 15 mil testes por semana.
Pacientes na UBS do bairro Paraviana, zona Leste da capital
Juliana Dama/G1 RR
Ainda nesta quinta, o município disponibilizou 50.400 testes rápidos, comprados por R$ 5,2 Milhões, nos oito postos destinados ao tratamento da doença. A capital estava sem testes desde o dia 1º de junho.
A prefeita estima que o pico da doença ocorra até o dia 20 de junho, quando a saúde vai chegar no “pior momento”. A capital atingiu 5.625 casos de coronavírus nesta quinta — 73% do total de casos no estado — e 187 mortes.
Um estudo apontou que 25% da população da capital já se infectou com a Covid-19. Esse foi o maior percentual entre as 120 do país onde o estudo da Universidade Federal de Pelotas (Ufpel) foi realizado.
Enquanto a população enfrenta a demora por atendimentos nos postos, casos graves de coronavírus são encaminhados para o Hospital Geral de Roraima, de responsabilidade do governo e que está superlotado.
Uma outra alternativa para os atendimentos de coronavírus seria a abertura do Hospital de Campanha. No entanto, o local teve a inauguração adiada por seis vezes desde que foi construído, há menos de três meses.
Nota da prefeitura:
“A Prefeitura de Boa Vista esclarece que a cidade está vivendo o pico da doença e estamos apenas na primeira semana de atendimento específico para covid-19 em oito unidades.
Para se ter uma ideia, apenas nesta quinta-feira, 2.408 pessoas foram atendidas nos 33 postos de saúde. Em 2013, apenas 7 UBS’s funcionavam em Boa Vista. Também foram feitos 894 testes rápidos, sendo que 478 deram positivos.
É importante destacar que as UBS’s estavam com demanda reprimida de testes há 15 dias por conta da falta de repasse dos materiais pelo Governo do Estado, descumprindo decisão judicial.
A previsão do município é de que, nos próximos dias, os atendimentos comecem a normalizar. Reforça que, por estarmos vivendo uma pandemia, a espera por atendimento é normal.
Nos últimos meses, a prefeitura já convocou, através de concurso público e seletivos, mais de 700 profissionais de saúde, sendo 260 aprovados em concurso; 234 aprovados em seletivo para atuarem no Hospital de Campanha; 320 abertas em seletivo que encerrou nessa quarta-feira, 17, além dos 38 médicos que o município recebeu do Governo Federal.
Para atender toda a demanda, o município ainda aumentou os horários de atendimento de 8 unidades, mantendo-as abertas até às 20h, e outras quatro com atendimento até meia noite e ainda abrindo aos sábados, das 8h às 13h.”

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