Secretaria de Infraestrutura de Pernambuco informou que a entrega das barragens é prioridade do governo, mas que o alto investimento vem sendo uma dificuldade. Praça Ismael Gouveia, em Palmares, em junho de 2010
Reprodução/TV Globo
Olhar para o céu e para o rio Una ainda é motivo de preocupação em Palmares, na Mata Sul de Pernambuco, mesmo após uma década das grandes enchentes que atingiram o município, em junho de 2010. Passados 10 anos, apenas uma das cinco barragens prometidas para conter as cheias foi entregue.
Em 18 de junho daquele ano, choveu em um dia o que era esperado para três semanas na Mata Sul. Devido às enchentes, em todo o estado, 20 pessoas morreram e 82 mil saíram de casa. No total, 67 municípios foram afetados. Palmares foi um dos que teve mais estragos. O rio Una transbordou e subiu quatro metros.
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Casas, prédios públicos e lojas do comércio foram destruídos. Na praça Central, uma carreta foi levada até uma cratera que abriu com a força da enxurrada. Quem viveu esses momentos, não esquece. “Eu tenho anotado em um caderno, 18 de junho de 2010. Eu escapei só por Deus mesmo, a rádio daqui anunciou que eu estava morto”, lembrou o aposentado Severino Albuquerque.
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O aposentado José Roberto da Silva perdeu todos os móveis e decidiu voltar para casa depois de seis meses. Mas o lugar onde ele vive não o deixa esquecer o que passou. “A tristeza foi ver meu bairro acabado, uma praça aí acabada que nunca ninguém ajeitou”, disse.
Cenários como o prédio abandonado da Gerência Regional de Educação Mata Sul, que chegou a ficar submerso, fazem com que os moradores permaneçam presos ao passado. Após 10 anos das enchentes, o governo ainda não conseguiu construir uma nova sede e paga aluguel.
Pelas ruas, ainda há casas destruídas e outros prédios públicos abandonados. O ginásio municipal foi reconstruído e inaugurado neste ano. Mais de 1 mil casas foram feitas na parte mais alta da cidade, mas ainda tem pessoas morando nas proximidades do rio.
Das cinco barragens anunciadas pelo Governo de Pernambuco para conter as cheias na Mata Sul, apenas uma ficou pronta: a de Serro Azul, na zona rural de Palmares, que controla o nível do rio Una. A previsão inicial da entrega das outras quatro era em 2013, mas as obras não foram concluídas.
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Antônio Henrique/TV Globo
A “Operação Reconstrução”, que gerenciava os recursos das obras, foi alvo de investigação da Controladoria Geral da União (CGU) e gerou a “Operação Torrentes”, da Polícia Federal. Oficiais da Polícia Militar de Pernambuco, que integravam a operação, chegaram a ser presos em 2017, acusados de fraudes em contratos.
As barragens que não foram entregues fazem falta e, 10 anos após as enchentes que destruíram a cidade, a população de Palmares não consegue ficar tranquila durante o inverno.
“A construção dessa barragem aqui em Serra Azul realmente reduz consideravelmente o risco de enchente de Palmares até Barreiros. Porém existem dois rios que passam aqui, o rio Pirangi se encontra com o rio Una logo mais ali na frente. Como não houve nenhuma outra barragem construída, que possa represar [os rios] Pirangi e Panelas, a possibilidade de enchente continua havendo”, explicou Paulo Boanerges, que é o coordenador da Defesa Civil de Palmares.
Por meio de nota, a Secretaria de Infraestrutura (Seinfra) do estado informou que a entrega das barragens é prioridade do governo, mas que o alto investimento vem sendo uma dificuldade. Segundo a Seinfra, a barragem de Panelas II, em Cupira, tem 50% da obra concluída; Igarapeba, em São Benedito do Sul, está em 38%; as obras da barragem de Barra de Guabiraba estão em 25%; e a de Lagoa dos Gatos está com 20% da execução.

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