Mais de 200 funcionários foram desligados; nas demonstrações financeiras, banco disse que não dispensaria durante a crise causada pela Covid-19. Logo do banco Santander em Londres.
Luke MacGregor/Reuters
O Santander demitiu mais de 200 funcionários nas últimas semanas, depois de assumir compromisso público de que não faria cortes durante a pandemia do novo coronavírus. O balanço, em nível nacional, é do Sindicato do Bancários de São Paulo, atualizado até esta sexta-feira (19).
Desde o início da crise, o banco deu ao menos três demonstrações de que não faria cortes de pessoal.
O indicativo mais importante está registrado nas demonstrações financeiras do primeiro trimestre, publicadas em abril.
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As páginas 7 e 8 do documento dizem o seguinte: “As pessoas são elemento essencial na Organização. Afinal, são elas que pensam, projetam, desenvolvem, interagem e constroem aquilo que o Banco Santander deseja ser. Esse é o motivo de o banco investir em cada um dos 47.192 funcionários aqui no Brasil. (…) Devido ao contexto atual do Covid-19, o Santander firmou o compromisso de não demitir funcionários durante a crise.”
Além do registro no balanço trimestral, o banco havia firmado acordo com o sindicato de bancários de que não demitiria “durante o período mais crítico da epidemia”, acompanhando resolução dos concorrentes Itaú e Bradesco.
O terceiro compromisso foi a adesão à campanha “Não Demita”, junto com mais de 4 mil empresas que prometeram manter suas equipes, como Magazine Luiza, Natura e Boticário.
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O Santander diz que não houve quebra de compromisso. O banco afirma que respeitou o período acordado no movimento Não Demita, que garantia congelamento das demissões por 60 dias.
As demais promessas seguiram, segundo o banco, o mesmo intervalo. A empresa diz ainda que abriu recentemente mais de 1.500 vagas para profissionais de Tecnologia, Dados, Riscos, Finanças e Jurídico.
“Nosso compromisso social segue inabalável. (…) como parte da gestão de qualquer negócio, a liderança do banco iniciou um processo de reavaliação do nível de produtividade de suas equipes, que deve ser contínuo em uma empresa que busca manter o melhor nível de eficiência da indústria”, diz o Santander em nota enviada à reportagem do G1.
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E prossegue: “O movimento é necessário para fazer frente a um entorno muito mais desafiador, além da necessidade de navegar com eficácia em um ambiente de arquitetura aberta, trabalho em rede e busca incessante de níveis de automação ainda mais contundentes.”
Ainda assim, as demissões causaram uma onda de protestos de funcionários nesta semana. A hashtag #SantanderRespeiteOBrasil reuniu reclamações sobre metas de quem fica e sobre demissões durante o surto de Covid-19. O “tuitaço” chegou aos tópicos mais comentados.
Funcionários e sindicalistas questionam as dispensas em momento que o Santander Brasil registrou crescimento de 10,5% no lucro líquido no primeiro trimestre, para R$ 3,774 bilhões. Na comparação com o quarto trimestre, também houve alta de 0,7% nos ganhos.

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