Trabalhadores de hospitais ouvidos pelo MG2 contaram que apenas quem está com sintomas é testado, o que pode gerar risco de contaminação aos pacientes. testes RT-PCR
AEN/Divulgação
O Sindicato dos Trabalhadores da Saúde de Juiz de Fora recebeu diversas denúncias de profissionais da saúde da rede pública e privada relatando a baixa testagem de Covid-19 entre os funcionários.
Conforme apurado pelo MG2, apenas colaboradores que apresentam sintomas são testados.
“Temos pedido fiscalização, temos intercedido entre as empresas e estamos preocupados com o baixo número de teste de profissionais de saúde, até porque em uma pandemia os profissionais são fundamentais neste combate”, relatou o presidente do sindicato, Anderson Stehling.
Os hospitais citados pelo sindicato são o Albert Sabin e a Santa Casa de Misericórdia, que foram procurados pela reportagem (Veja abaixo).
Profissionais de saúde que não quiseram ser identificados contaram à TV Integração que estão preocupados com a baixa testagem.
Profissionais de saúde denunciam falta de testes em Juiz de Fora
TV Integração/Reprodução
“Nós temos família, alguns têm filhos, muitos têm familiares que se enquadram no grupo de risco. E quando a gente vai questionar sobre testar os funcionários, eles alegam que se não tivermos sintomas, não tem porque fazer o teste. Sendo que três funcionários do mesmo plantão positivaram o exame”, relatou uma das trabalhadoras.
“Tem muito paciente internado com Covid -19 no hospital. O grande problema dos hospitais é o que o paciente interna com uma patologia e vai descobrir depois que está com Covid. Aí, todo mundo já teve contato com esse paciente. Só são testados funcionários com sintomas. Os funcionários que não tem sintomas não são testados no hospital. Os funcionários que têm condições de pagar, estão pagando para fazer o teste”, afirmou outro profissional ouvido pela reportagem.
Os trabalhadores também relataram a falta de Equipamentos de Proteção Individual (EPI) adequados, como a falta da máscara face shield, que cobre todo o rosto e capote hospitalar. “O capote que o hospital disponibiliza para nós é uma capa de chuva que não cobre nosso braço todo”, revelou uma das profissionais de saúde.
Testes
Desde o início da pandemia, a Prefeitura de Juiz de Fora realizou cerca de 1.500 testes nos laboratórios da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF).
O público específico para o exame são os profissionais de saúde, mas apenas aqueles que apresentam sintomas, pacientes internados nos leitos destinados à Covid-19 e servidores da limpeza, segurança e saneamento do município.
Uma das alternativas encontradas pelos profissionais e à população em geral é a realização dos testes em laboratórios particulares. O G1 mostrou em abril que o preço médio destes exames na cidade é R$300.
No laboratório particular procurado pela reportagem do MG2, a procura por testes aumentou. São realizadas 400 testagens por dia, do tipo RT-PCR, que detecta com precisão a presença do novo coronavírus.
“A gente saiu de algo em torno de 15% de positivo e chegamos a 30% de pacientes positivos. Desses 30%, muitos são assintomáticos, que têm a capacidade de transmissão. Então é muito importante as pessoas se resguardarem e passarem pelo exame para conseguir rastrear e garantir o isolamento”, contou a bióloga geneticista, Isabella Barreto, que trabalha no laboratório.
O que dizem os hospitais
Em nota, a Santa Casa de Misericórdia informou que a testagem dos colaboradores é feita de acordo com protocolos internos e que se reserva no direito de manter em sigilo o número de testes realizados e profissionais acometidos pela doença.
O G1 procurou o Hospital Albert Sabin, que informou que irá enviar à imprensa uma nota sobre o assunto ainda nesta sexta-feira.
A Secretaria Municipal de Saúde informou que a parceria com a UFJF garante a testagem de profissionais sintomáticos, entre o terceiro e o 10º dia; os pacientes em leitos para Covid-19, pactuados com o município; os que são atendidos pela rede básica, em situação de vulnerabilidade e servidores da segurança publica, do Demlurb e da Cesama.
Na próxima semana, a previsão é que esse público seja ampliado, e que pessoas com idade acima de 20 anos, com sintomas da doença, passem a ser selecionados para realizar o exame.

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