A pedido da Prefeitura da cidade de SP, EMTU cancelou ou suspendeu a frota de 15 linhas intermunicipais que ligam as cidades da região metropolitana até a capital paulista, outras 9 foram cortadas por decisão da empresa. Prefeituras pedem volta de linhas à EMTU
Vinte cidades da Grande São Paulo cobram a Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos de São Paulo (EMTU) para que 24 linhas intermunicipais canceladas ou suspensas devido a pandemia voltem a operar. Destas, 15 foram cortadas a pedido da Prefeitura de São Paulo e outras 9 por decisão da própria empresa.
Passageiros relatam que a retirada das linhas tornou o caminho mais longo e mais caro também. Quando a linha 560 que saia da estação Osasco e ia até o Metrô Armênia, na Zona Sul da capital, ainda circulava, a passagem custava R$ 5,65. Agora, a alternativa é utilizar a linha 462 que vai para cidade São Pedro, todavia, a passagem custa R$ 7,40 para quem vai até o ponto final.
“No meu serviço eles só aceitam de R$ 15 de passagem por dia, e esse daqui é bem mais caro e eu tenho que pegar integração ainda, complicou bastante”, afirma a operadora de cobrança, Carolina Nascimento Borges.
No começo do mês de junho, moradores de Embu-Guaçu, na Região Metropolitana de São Paulo, reclamaram do fim da linha 009 Vila louro/Santo Amaro. Pedro Miguel Domigues fazia o trajeto todos os dias e organizou na internet um abaixo-assinado que já reúne quase 2 mil assinaturas para pedir a volta da linha.
“Muitas pessoas hoje para elas irem para Santo Amaro, elas tem que ir até o Capão Redondo, pegar o metrô e ir até Santo Amaro, mas se elas quiserem descer no Socorro, na M’ Boi Mirim, elas não vão conseguir ter esse acesso, elas vão ter que pagar outra passagem”, relata Pedro.
Na época, a Prefeitura da capital paulista admitiu que pediu o cancelamento desta e de outras linhas para a EMTU, porque elas estavam fazendo trajetos parecidos com os ônibus da SPTrans.
A cidade de Itapevi, na região metropolitana de São Paulo, enviou um ofício à EMTU no dia 17 de junho pedindo a reativação de duas linhas que ligavam à cidade à Vargem Grande Paulista e à Santana de Parnaíba e argumentou que as “linhas são de extrema necessidade para os moradores”.
Guarulhos e outras 10 cidades da região leste da Grande São Paulo perderam 10 linhas. O Consórcio de Desenvolvimento do Municípios do Alto Tietê (Condemat), que representa essas cidades, mandou uma carta ao secretário estadual dos transporte metropolitanos, Alexandre Baldy, questionando quais providências foram adotadas para oferecer outras opções de transporte aos usuário e minimizar os impactos. O presidente do consórcio, Adriano Leite, disse que também pediu explicações à Prefeitura da capital.
“Não tivemos nenhuma informação concreta, nem de prazos nem de sugestões de procedimentos, de providências alternativas para suprir de maneira parcial essa carência que existe no transporte público da nossa região, estamos falando aí de, no minimo, 130 mil usuários/dia que dependem dessas linhas”, disse Adriano Leite, prefeito de Guararema e presidente do do Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê (Condemat).
O Consórcio Intermunicipal da Região Sudoeste da Grande São Paulo (Conisud), que representa 8 cidades e que perdeu quatro linhas, também reclamou. No começo do mês de junho, pediu ao secretário executivo da secretaria dos transportes metropolitanos, Paulo José Galli, que a EMTU aumente o número de ônibus nas linhas e que não cancele as linhas existentes.
“Nós não temos retorno, nada sobre essa situação. O que a gente tem é ouvido da população a reclamação. Primeiro, transporte com má qualidade e falta de condição de higiene e superlotado. Com a flexibilização, nós temos agora um movimento ainda maior de passageiros e não temos os ônibus que tínhamos antes”, Brígida Sacramento, secretária-executiva do Conisud.
Em nota, a EMTU disse que os passageiros das linhas canceladas ou suspensas estão sendo atendidos por outras linhas. Já a Secretaria de Mobilidade e Transportes da capital disse que vai responder aos questionamentos das outras prefeituras e argumentou que o objetivo dos cancelamentos é reduzir a sobreposição de trajetos.

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