Balança comercial tem sustentado resultados positivos em meio à pandemia, ao mesmo tempo em que gastos no exterior caem com fechamento de fronteiras e desaquecimento da economia. As contas externas do Brasil registraram superávit de US$ 1,326 bilhão em maio deste ano. As informações foram divulgadas pelo Banco Central nesta quarta-feira (24).
Foi o terceiro mês seguido de saldo positivo e o melhor resultado para meses de maio desde 2017 (+US$ 2,471 bilhões), ou seja, em três anos.
O resultado de transações correntes, um dos principais sobre o setor externo do país, é formado pela balança comercial (comércio de produtos entre o Brasil e outros países), pelos serviços (adquiridos por brasileiros no exterior) e pelas rendas (remessas de juros, lucros e dividendos do Brasil para o exterior).
Segundo o chefe do Departamento de Estatísticas da instituição, Fernando Rocha, três meses seguidos de superávit nas contas externas não aconteciam desde o início de 2007. Ele informou ainda que a previsão é de novo saldo positivo em junho.
“Essa reversão decorre nas mudanças das condições na economia causada pela pandemia do coronavírus, e ações feitas para evitar o contágio”, declarou ele.
O superávit das contas externas de maio é fruto do saldo positivo da balança comercial brasileira, que registrou superávit (exportações menos importações) de US$ 4,2 bilhões. O resultado foi impulsionado pelas vendas externas de produtos básicos, como alimentos e petróleo, tendo os países asiáticos como principais destinos.
Além disso, houve um déficit menor nas contas de serviços e renda por conta do desaquecimento da economia mundial e do fechamento de fronteiras – este último fator contribuiu para o menor gasto de brasileiros no exterior em 16 anos.
“A crise afeta as vendas e tem afetado os lucros das empresas, e parte delas é de não residentes. Outro fator foi a redução do déficit na conta de viagens internacionais”, disse Fernando Rocha, do BC.
Nos cinco primeiros meses deste ano, ainda segundo dados do BC, a conta de transações correntes apresentou um déficit de US$ 11,334 bilhões – com queda de 38,2% frente ao mesmo período do ano passado, quando o rombo nas contas externas somou US$ 18,339 bilhões.
Em todo ano passado, o déficit das contas externas do Brasil subiu 22%, para US$ 50,762 bilhões.
Para todo ano de 2020, a expectativa do Banco Central é de um déficit menor das contas externas, de US$ 41 bilhões, por conta da pandemia do novo coronavírus.
Investimento estrangeiro
O Banco Central também informou que os investimentos estrangeiros diretos na economia brasileira somaram US$ 2,552 bilhões em maio.
Com isso, houve melhora frente ao mês de abril, quando foi registrado o ingresso de apenas US$ 234 milhões. Entretanto, foi o pior resultado para maio desde 2018, quando houve entrada de US$ 2,004 bilhões.
Nos cinco primeiros meses deste ano, ainda de acordo com o Banco Central, os investimento diretos somaram US$ 20,595 bilhões, uma queda de 35% frente ao mesmo período de 2019 (US$ 31,659 bilhões).
Mesmo assim, os investimentos estrangeiros foram suficientes para cobrir o rombo das contas externas no acumulado deste ano (US$ 11,334 bilhões).
Quando o déficit não é “coberto” pelos investimentos estrangeiros, o país tem de se apoiar em outros fluxos, como ingresso de recursos para aplicações financeiras, ou empréstimos buscados no exterior, para fechar as contas.
Em todo ano passado, os investimentos estrangeiros diretos na economia brasileira somaram US$ 78,559 bilhões, com pequena alta frente ao ano anterior.
Para 2020, o Banco Central estima um ingresso de US$ 60 bilhões em investimentos estrangeiros diretos na economia brasileira.

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