Inauguração acontece pouco mais de uma semana após governo central chinês impor uma dura lei ao território, que é vista pelos críticos como uma deterioração das liberdades da ex-colônia britânica. Foto mostra inauguração do escritório de salvaguarda da Segurança Nacional em Hong Kong. À esquerda, assessor de Segurança Nacional do Comitê para Salvaguardar a Segurança Nacional em Hong Kong, Luo Huining, e a diretora executiva de Hong Kong, Carrie Lam
Governo de Hong Kong via AP
O governo da China inaugurou nesta quarta-feira (8) os escritórios de Segurança Nacional em em Hong Kong. A inauguração acontece pouco mais de uma semana após governo central chinês impor uma dura lei ao território, que é vista pelos críticos como uma deterioração das liberdades da ex-colônia britânica.
Uma placa com o nome da agência de segurança foi desfraldada em um ato com a presença de funcionários do governo e da polícia de Hong Kong. A polícia bloqueou as vias ao redor do edifício onde ficam os escritórios e o cercou com barreiras pesadas cheias de água, segundo a France Presse.
Uma bandeira da China foi posicionada em frente ao prédio, depois da instalação de um emblema da República Popular da China.
A inauguração do serviço acontece no mesmo dia em que o departamento de educação de Hong Kong anunciou que as escolas não devem permitir que os alunos toquem, cantem ou transmitam o hino de protesto “Glória a Hong Kong”, porque contém mensagens políticas. Na semana passada, Hong Kong criminalizou o slogan pró-democracia “Liberte Hong Kong, a revolução do nosso tempo” sob a nova lei de segurança nacional.
Na terça-feira (7), a chefe do Executivo de Hong Kong, Carrie Lam, afirmou que o governo implementará “rigorosamente” a controversa nova lei de segurança e fez uma advertência aos opositores “radicais”.
Lei de segurança nacional
Em 30 de junho, entrou em vigor a nova lei de segurança em Hong Kong que visa reprimir atos de subversão, secessão, terrorismo e conluio estrangeiro.
A lei é a alteração mais radical nas liberdades e autonomia de Hong Kong desde que o Reino Unido devolveu o território à China em 1997. O conteúdo da lei foi mantido em sigilo até sua promulgação.
A China tem dito que terá jurisdição sobre os casos mais graves, derrubando os bloqueios legais que tradicionalmente existiram entre seus tribunais e o poder judiciário de Hong Kong desde 1997.
Esta nova legislação inclui a autorização para que o aparato de segurança da China trabalhe abertamente em Hong Kong, com poderes para investigar e julgar crimes de segurança nacional.
Carrie Lam, no entanto, negou as acusações de que a lei vai sufocar as liberdades e criticou o que chamou de “falácias” sobre seu impacto.
“Certamente isso não representa apenas obscuridade e pessimismo para Hong Kong”, disse. “Tenho certeza de que com o passar do tempo. A confiança aumentará com (relação ao princípio de) ‘um país, dois sistemas’ e no futuro de Hong Kong”, completou.