As mortes aconteceram em manifestações e confrontos entre comunidades na semana passada na Etiópia, consequência da morte de um cantor popular da etnia majoritária oromo. Enterro de Haacaaluu Hundeessaa na Etiópia, em 2 de julho de 2020
Reprodução Oromia Broadcasting Network (OBN)/via Reuters
Ao menos 239 pessoas morreram em manifestações e confrontos entre comunidades na semana passada na Etiópia, consequência da morte de um cantor popular da etnia majoritária oromo, segundo um balanço baseado em dados divulgados pela polícia.
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“Nove policiais, cinco membros das milícias e 215 civis morreram nos distúrbios”, anunciou nesta quarta-feira o vice-comandante de polícia da região de Oromia, Mustafa Kedir.
A polícia de Adis Abeba informou que 10 pessoas morreram na capital, incluindo dois agentes.
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Adis Abeba e a região de Oromia registraram na semana passada os piores confrontos desde a chegada ao poder do primeiro-ministro Abiy Ahmed em 2018, membro da etnia oromo.
Os confrontos começaram com o assassinato do famoso cantor Hachalu Hundessa, porta-voz dos oromo, que foi atingido por tiros em Adis Abeba em 29 de junho.
Militares patrulham as ruas de Adis Abeba no dia 2 de julho de 2020
Tiksa Negeri/Reuters
Entre as 239 vítimas fatais, algumas morreram na repressão das manifestações pelas forças de segurança e outras em confrontos entre membros de várias comunidades, segundo as autoridades.
Mustafa também informou que alguns bens do governo e propriedades privadas sofreram danos e saques.
Mais de 3.500 suspeitos foram detidos, de acordo com o vice-comandante de polícia.
A violência deixa evidente as tensões étnicas na Etiópia e a fragilidade da transição democrática de Abiy, prêmio Nobel da Paz em 2019.