Grupo de pesquisadores trabalha em estudos inéditos sobre tartarugas marinhas e mamíferos terrestres. Vista aérea do Monumento Natural das Ilhas Cagarras
Athila Bertoncini/Ilhas do Rio
O Projeto Ilhas do Rio anunciou, nesta terça-feira (7), novas fases de pesquisas no Monumento Natural das Ilhas Cagarras. Com a flexibilização das medidas restritivas, pesquisadores e visitantes podem voltar a fazer visitações às ilhas, que ficam a 5 km da praia de Ipanema, na Zona Sul.
Criado em 2010 pela ONG Instituto Mar Adentro, o Ilhas do Rio faz um levantamento da biodiversidade nas ilhas e, nessa nova etapa, as tartarugas marinhas serão uma das novas temáticas abordadas pela pesquisa inédita, além da mastofauna terrestre (mamíferos).
Com o objetivo de apresentar as novidades, o projeto faz, nesta quinta-feira (9), uma transmissão nas redes sociais (Facebook e Youtube), das 17h às 18h30.
A pesquisadora Suzana Guimarães comanda a pesquisa das tartarugas marinhas. Desde 2008 ela realiza o levantamento do aparecimento dos animais na região da Baía de Guanabara e proximidades e em Niterói. Segundo os registros do projeto, a espécie mais comum no monumento é a tartaruga-verde.
“Existem sete espécies de tartarugas marinhas no mundo, sendo que cinco ocorrem no Brasil, entre elas, a tartaruga-verde. Todas estão incluídas na Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas de Extinção da União Internacional para Conservação da Natureza e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. O levantamento de sua ocorrência e o monitoramento a longo prazo trarão informações importantes para a Unidade de Conservação, além de ajudar a despertar o interesse e conscientização da sociedade em prol da região”, destacou Suzana.
Tartaruga verde, espécie comum no MoNa Cagarras e arredores.
Athila Bertoncini/Ilhas do Rio
Já a pesquisa dos mastofauna terrestre, que tem como finalidade identificar os mamíferos terrestres nas ilhas, é coordenada pela pesquisadora Julia Lins.
“Até o momento, foram registradas espécies da ordem da Chiroptera (morcegos), Rodentia (roedores) e Lagomorpha (coelhos). Porém, os dados ainda são muito imprecisos, por isso a necessidade de aprofundar os estudos, incluindo espécies nativas e exóticas”, explicou a pesquisadora.
Outros três temas já compõem os estudos do projeto: o experimento para retirada do capim-colonião, o monitoramento dos peixes recifais e o acompanhamento de baleias e golfinhos.
O Ilhas do Rio também retoma as ações de educação, que têm foco na poluição marinha.
O projeto
Em 10 anos, o Ilhas do Rio já registrou mais de 600 espécies de animais e plantas. Algumas delas eram raras, endêmicas e inéditas para a ciência, de acordo com o projeto.
Dentre as descobertas, estão uma espécie de perereca que só existe nas ilhas e uma espécie de árvore, a Gymnanthes nervosa, que não havia registro desde 1940 no município. O grupo também catalogou esponjas do mar com propriedades medicinais e ameaçadas.
Os pesquisadores já encontraram até o sítio arqueológico Tupiguarani na Ilha Redonda. Lá, foram encontrados mais de cinco mil fragatas, o que tornou o monumento um dos maiores ninhais da espécie do Atlântico do Sul.
Além das espécies já citadas, o projeto acompanha peixes – 210 espécies já foram catalogadas – e outros animais, como golfinho-flíper, golfinho-de-dentes-rugosos, orca, baleia-de-bryde, baleia-jubarte e baleia-franca-austral. No local, eles criam os filhotes, socializam, descansam e se alimentam, além de ser passagem durante rotas migratórias de baleias.
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