Com a pandemia, empresa transporta 400 mil passageiros a menos por dia. Concessionária diz que não tem dinheiro para pagar salários, fornecedores e manutenção, em agosto. Sistemas de trens da supervia pode parar por falta de dinheiro
Os trens da Supervia podem parar por falta de dinheiro, pois, segundo a empresa, a redução de passageiros na pandemia provocou um prejuízo que pode chegar a R$ 120 milhões. Ainda de acordo com a concessionária, os salários de funcionários e os pagamentos de fornecedores podem ser afetados já em agosto. Enquanto isso, os passageiros continuam reclamando dos trens cheios.
Em nota, a empresa explica que “A SuperVia esclarece que, se a partir de agosto não obtiver apoio financeiro para manter seu serviço, não terá caixa suficiente para cumprir com todos os seus pagamentos, como por exemplo pagamento de folha e de fornecedores, as contas de energia e os gastos com manutenção da frota, o que colocará dificuldades na operação dos trens”.
A Supervia diz que, com a pandemia, está transportando cerca de 400 mil passageiros a menos por dia. Até o início da quarentena, a empresa transportava cerca de 600 mil pessoas por dia.
Com a flexibilização das medidas restritivas nos últimos dias, houve um aumento de 5% no número de passageiros. A Supervia diz que teve uma perda de R$ 102 milhões – cerca de R$ 32 milhões por mês – com a queda do número de passageiros. E perdeu também receitas não-tarifárias, com as lojas e quiosques nas estações que estão, em sua maioria, fechadas.
Para tentar melhorar o caixa e evitar demissões, a concessionária fez um corte de despesas, como a redução de 25% na jornada e nos salários de dois mil funcionários. Para afastar a possibilidade de paralisação do serviço, a Supervia está tentando uma negociação com o governo do estado.
Os passageiros que pegam trem diariamente reclamam que as composições continuam circulando cheias, principalmente no horário de ida para o trabalho, de manhã cedo, e na volta para casa no final do dia. Outra queixa é o aumento do intervalo entre os trens.
A Secretaria Estadual de Transportes disse que essa é a pior crise nos transportes públicos dos últimos 50 anos e que essa realidade não é exclusiva do Rio de Janeiro, mas do mundo inteiro. A Setrans disse também que as empresas de transporte – trem, metrô, barca e ônibus – precisariam de um suporte financeiro entre R$ 80 milhões e R$ 120 milhões mensais, por até um semestre, para manter as atividades.
O governo do estado disse que, por conta das restrições e dificuldades e ajudar financeiramente os operadores, a Setrans, em conjunto com as secretarias de transportes de São Paulo, Minas Gerais e Pernambuco, está buscando apoio do governo federal através do Ministério da Economia. Segundo o estado, se o transporte público urbano reduzir suas operações, a retomada da economia será fortemente comprometida.