De acordo com sindicato, 187 trabalhadores da Viação Goretti Irmãos Ltda (GIL) não receberam o pagamento referente a junho. Ato na Avenida Getúlio Vargas é acompanhado por agentes da Settra; o G1 procurou os envolvidos. Trabalhadores parados na Avenida Getúlio Vargas em Juiz de Fora
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Motoristas e cobradores da Viação Goretti Irmãos Ltda (GIL) realizam na manhã desta quarta-feira (8) uma manifestação na Avenida Getúlio Vargas por conta do não pagamento do salários referentse ao mês de junho. A informação foi confirmada ao G1 pelo Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transporte Coletivo Urbano (Sinttro).
O trânsito está parcialmente impedido na altura da Rua Halfeld. A Secretaria de Transporte e Trânsito (Settra) informou que agentes estão no local acompanhando a movimentação e que uma reunião entre as empresas de ônibus, o sindicato e a Secretaria ocorre ainda nesta manhã para discutir a situação.
De acordo com o sindicato, o ato ocorre após uma mudança contratual. Em dezembro de 2019, algumas linhas da GIL foram transferidas para a Viação Auto Nossa Senhora Aparecida Ltda (Ansal) e, com isso, os trabalhadores destas linhas foram incorporados pela nova empresa.
Por conta da crise financeira causada pelo novo coronavírus, que gerou em um prejuízo de mais de R$15 milhões às empresas, de acordo com dados da Astransp, a Ansal devolveu as linhas e os motoristas e cobradores para a GIL no dia 15 de junho. O fato causou uma outra manifestação, por conta da indefinição dos contratos e a dúvida de quem seria responsável por pagar os salários.
Ainda conforme o Sinttro, os 187 trabalhadores que vieram da Ansal agora estão registrados pela GIL e, com isso, deveriam receber o pagamento pela Goretti Irmãos, o que até a manhã desta quarta-feira (8) ainda não ocorreu.
A reportagem entrou em contato com o advogado que representa a GIL para saber mais informações e até a última atualização desta matéria não obteve retorno.
Outras manifestações
No dia 8 de maio, motoristas e cobradores das empresas de ônibus Tusmil, Gil e Viação São Francisco paralisaram as atividades por causa de atraso no pagamento dos salários parciais, acordado entre os funcionários e as empresas.
Na ocasião, a Astransp, responsável pelo consórcio Manchester, formado por Gil e Tusmil, e a Viação São Francisco, informou sobre as dificuldades financeiras no momento e da atual incapacidade do pagamento em dia dos salários integrais, bem como dos esforços mantidos pelos empresários para regularizar a situação.
Após negociação entre os empregadores e o Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transporte Coletivo Urbano (Sinttro), a situação foi regularizada e os ônibus foram liberados das garagens.
No mês de março, motoristas e cobradores de ônibus urbano também fizeram um ato. Eles paralisaram os veículos em longas filas, o que causou complicações no trânsito nas ruas e avenidas na região central da cidade.
A manifestação foi realizada por causa da redução do adiantamento do salário, que é sempre pago no dia 20 de cada mês.
Na ocasião, os consórcios responsáveis pelo transporte coletivo urbano já haviam registrado dificuldades financeiras diante das medidas adotadas para evitar a proliferação da Covid-19.
Com a queda da demanda dos passageiros, havia sido adotado em caráter emergencial o pagamento do adiantamento com percentual menor do que o habitual.
Crise financeira nas empresas
No dia 20 de maio, o G1 mostrou que a Prefeitura de Juiz de Fora vai enviar à Câmara Municipal um projeto de lei que solicita a autorização para conceder um subsídio de R$ 3 milhões às empresas do transporte público.
O valor a ser repassado aos consórcios tem o objetivo de garantir que o atendimento à população seja mantido normalmente. As empresas têm alegado dificuldades devido à redução do número de passageiros em até 70% em função das medidas restritivas por causa do coronavírus.
Os representantes das empresas responsáveis pelo transporte público se reuniram com a Prefeitura no início de março para pedir reequilíbrio financeiro dos contratos de concessão do transporte.
No encontro, os consórcios informaram que, em outubro de 2019, o número de passageiros pagantes ultrapassava 7 milhões. Em março de 2020, o número caiu para 4, 9 milhões. Em abril, este número chegou à casa dos 2,2 milhões.
De acordo com as empresas, a queda do número de passageiros causou um enorme desequilíbrio financeiro e no contrato de concessão. Isso ocorreu porque quando os contratos foram feitos, a estimativa de número é bem diferente da realidade atual.
Segundo a Astransp, até o início de maio era calculado um prejuízo estimado em mais de R$15 milhões nos dois meses anteriores.
O consórcio Via JF, por sua vez, informou que “o setor de transportes vem enfrentando a maior crise de todos os tempos, a queda na receita dos Consórcios chegou a 70%, sendo que os custos da operação caiu apenas 40%”.
De acordo com o consórcio , essa diferença já gerou um déficit de R$ 22 milhões no sistema de transporte coletivo de Juiz de Fora. Também foi sinalizado que, como as empresas já se encontravam em colapso financeiro, se não houvesse um auxílio da Prefeitura, as empresas enfrentariam grandes dificuldades de operação nos próximos meses.