Gerson Camarotti: ‘Dossiê é remonta a época da ditadura militar e do CNI’
Os movimentos do governo de Jair Bolsonaro por uma estrutura de “inteligência paralela” redobram o alerta para eventual produção de dossiês.
Reportagem do site UOL revelou que uma secretaria do Ministério da Justiça produziu um relatório sigiloso sobre mais de 500 servidores da área de segurança identificados como membros do movimento antifascismo.
Ao blog, o ministério negou ter produzido o dossiê e disse que a ação de inteligência foi realizada para monitorar protestos contra e a favor do governo e evitar confronto entre manifestantes.
Mas, além dessa negativa, será preciso um esclarecimento público para evitar qualquer tipo de suspeita sobre as ações da pasta. Isso porque o governo tem um histórico de flertar com uma estrutura paralela para fazer arapongagem.
Na conhecida reunião ministerial de 22 de abril deste ano, o próprio presidente Jair Bolsonaro reclamou de órgãos oficiais de inteligência, como os da Polícia Federal e Forças Armadas, e disse ter seu sistema particular de informações.
Bolsonaro critica sistema de informações e revela que tem sistema particular que funciona
Dias antes de morrer, em março deste ano, o ex-ministro de Bolsonaro Gustavo Bebianno afirmou em entrevista que o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), filho do presidente, tentou montar uma espécie de Agência Brasileira de Inteligência (Abin) paralela.
Na entrevista, disse que reações suas e do ex-ministro Carlos Alberto Santos Cruz impediram o avanço do projeto.
Oficialmente, o Ministério da Justiça informou em nota que “não há nenhum procedimento instaurado contra qualquer pessoa específica no âmbito da Secretaria de Operações Integradas (Seopi), muito menos com caráter penal ou policial.”
A pasta disse ainda que não cabe à Seopi produzir “dossiê” contra nenhum cidadão e nem mesmo instaurar procedimentos de cunho inquisitorial.”