Técnicas empregadas pelos agentes federais para dispersar a multidão, como gás lacrimogêneo e bombas de efeito moral, contribuíram para a aumentar a tensão em protestos anteriores. Manifestante agita uma bandeira dos EUA na frente de oficiais federais na quinta-feira (30), em Portland, Oregon, nos EUA
Marcio Jose Sanchez/AP
Milhares de pessoas protestaram contra o racismo em Portland, em Oregon (Estados Unidos), na quinta-feira (30), na primeira manifestação desde que os reforços federais enviados pelo presidente Donald Trump começaram a deixar a cidade. Os atos públicos transcorreram sem violência.
Os slogans “Black Lives Matter” e “Sem justiça não há paz” voltaram a ecoar nesta cidade no oeste americano, que protesta há 63 dias após a morte do afro-americano George Floyd.
No final da manhã desta sexta-feira (31), restavam manifestantes com escudos improvisados, tacos de hóquei e até sopradores de folhas para dissipar a fumaça das bombas de gás, que costumavam encerrar o dia.
Portland, nos Estados Unidos, tem protesto pacífico contra o racismo
Desta vez, porém, não havia sinal da polícia do estado de Oregon (oeste), que assumiu os trabalhos de segurança e manutenção da ordem pública, após um acordo entre o governo Trump e a governadora Kate Brown.
“O que nós queremos? Justiça! Quando queremos? Agora!”, gritavam os manifestantes diante do tribunal federal, o epicentro dos protestos nesta cidade de 650 mil habitantes.
“Passamos os 60 dias e ainda somos fortes”, disse um dos organizadores, sob aplausos.
‘Mesma opressão, uniforme diferente’
A presença de forças federais em Portland inflamou a situação, principalmente depois da divulgação de vídeos mostrando manifestantes presos por agentes em carros não identificados.
As técnicas empregadas pelos agentes federais para dispersar a multidão, como gás lacrimogêneo, bombas de efeito moral e balas de borracha, contribuíram para a aumentar a tensão na cidade.
O superintendente da polícia estadual do Oregon, Travis Hampton, disse que seus policiais não usariam uniforme de Batalhão de Choque, como os federais, e sim, que teriam um aspecto “amigável” – uma tentativa de mudar o tom dos protestos dos últimos dias em Portland, que sempre terminavam em violência.
“Esses soldados estaduais do Oregon não são fáceis de provocar”, disse ele em entrevista ao jornal “The Oregonian”.
“Esperamos o melhor, mas planejamos o pior”, acrescentou Hampton, dando a entender que responderão com a força, se a situação se deteriorar.
Isso não aconteceu na quinta-feira. O momento mais tenso foi quando alguns manifestantes jogaram duas garrafas de vidro e bombas de tinta na fachada do tribunal de Justiça, já cheia de grafite. Os policiais não apareceram, e os espíritos se acalmaram.
Ainda assim, Reese Monson, um ativista negro de 30 anos, é cético.
“Eles são a mesma coisa, com uniformes diferentes: mesma tática, mesma estratégia, mesma pressão. Mesma opressão, uniforme diferente”, disse ele à AFP.
Assim como no restante do país, os protestos em Portland começaram após o assassinato de George Floyd, um cidadão afro-americano morto em 25 de maio, sufocado sob o joelho de um policial branco em Minneapolis.