Trabalhadores negros, asiáticos e de outras minorias étnicas têm um risco quase duas vezes maior em comparação à comunidade em geral. Uma profissional de saúde da linha de frente é vista em um local de teste drive-thru para Covid-19 em São Petersburgo, no estado americano da Flórida, na sexta-feira (24)
Bryan R. Smith/AFP
Uma nova pesquisa indica que os profissionais que atuam na linha de frente no setor da saúde — particularmente os de origem negra, asiática e de outras minorias— enfrentam um risco maior de testar positivo para Covid-19 do que os indivíduos brancos e os da comunidade em geral.
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Os pesquisadores apontam o “racismo sistêmico” associado às desigualdades no acesso aos equipamentos de proteção (EPI) como explicações para essa diferença entre as minorias e os demais grupos. O estudo considerou diferentes funções dentro do setor de saúde, incluindo desde recepcionistas, porteiros e faxineiros de hospitais.
O estudo, publicado no periódico “The Lancet Public Health”, foi realizado no auge da pandemia de Covid-19 no Reino Unido e também nos Estados Unidos e foi conduzido por uma equipe liderada por pesquisadores do Hospital Geral de Massachusetts (MGH).
A pesquisa “Risk of COVID-19 among front-line health-care workers and the general community: a prospective cohort stud” analisou os dados de 2.035.395 indivíduos da comunidade e 99.795 profissionais de saúde da linha de frente.
Eles utilizaram voluntariamente o aplicativo “Covid Symptom Study”, desenvolvido com contribuições científicas da MGH e do Kings College London. Dentre os usuários, 5.545 relataram ter testado positivo para Covid-19 entre 24 de março e 23 de abril.
De acordo com o estudo, os profissionais de saúde da linha de frente têm um risco pelo menos três vezes maior de pegar Covid-19, levando em conta a diferença na frequência de testes entre eles e a comunidade em geral.
Profissionais de saúde negros, asiáticos e de outras minorias étnicas somam, ainda, um risco quase duas vezes maior em comparação aos trabalhadores de saúde brancos e em geral na linha de frente.
Profissionais de saúde utilizando equipamentos de proteção individual (EPI) passam por uma enfermaria para pacientes contaminados com Covid-19 no hospital Lok Nayak Jai Prakash em Nova Delhi, na Índia
Danish Siddiqui/Reuters
Falta de Equipamentos de Proteção Individual (EPI)
Os trabalhadores da linha de frente que relataram disponibilidade inadequada de equipamento de proteção individual (EPI), como máscaras, luvas e aventais, tiveram um risco especialmente elevado. A disponibilidade adequada de EPI, no entanto, não reduz completamente o risco entre os profissionais que cuidam de pacientes com a Covid-19.
“Embora esteja claro que os profissionais de saúde na linha de frente da luta contra o Covid-19 têm um risco aumentado de infecção, nosso país continua enfrentando uma escassez irritante de EPI”, disse o autor Andrew T. Chan, chefe da Unidade de Epidemiologia Clínica e Translacional da MGH e diretor de Epidemiologia do Câncer no MGH Cancer Center.
“Nossos resultados enfatizam a importância de fornecer acesso adequado aos EPI e também sugerem que o racismo sistêmico associado às desigualdades no acesso aos EPI provavelmente contribui para o risco desproporcional de infecção entre os trabalhadores minoritários da área de saúde”.
Os pesquisadores dizem que o estudo mostra não apenas a importância de disponibilidade e uso adequados de EPI, mas também a necessidade crucial de estratégias adicionais para proteger os profissionais de saúde, como garantir a correta aplicação e remoção de EPI e evitar a reutilização, associada a um risco aumentado.
“Este estudo demonstra como as duas principais crises que os EUA enfrentam — a pandemia do Covid-19 e o racismo sistêmico— estão inextrincavelmente ligadas e precisam de atenção imediata”, acrescentou o Dr. Chan.
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