Ao G1, a professora Juliana Neves conta que, por uma má-formação de nascença, não possui a orelha direita e precisa usar uma máscara adaptada. Professora denuncia preconceito por conta de máscara adaptada em Santos
Arquivo Pessoal
Uma professora foi às redes sociais para denunciar um caso de preconceito sofrido em Santos, no litoral de São Paulo. Ao G1, nesta terça-feira (18), ela explicou que sofre de uma má-formação de nascença denominada microssomia hemifacial, o que faz com que ela não tenha uma das orelhas e precise usar máscaras faciais adaptadas para evitar a contaminação pelo novo coronavírus. O acessório teria sido contestado pelo segurança de um supermercado da cidade.
De acordo com Juliana Neves, o caso aconteceu enquanto ela ia às compras com a mãe. Após a mãe dela ter a temperatura medida e ser autorizada a entrar no supermercado, a professora foi abordada pelo segurança na porta do comércio, o que teria causado um enorme constrangimento para as duas, já que Juliana sempre foi aos lugares com a máscara do mesmo modo.
Juliana conta que o segurança perguntou se ela não tinha uma máscara e ela explicou que utilizava uma peça adaptada por conta do problema. “Aí ele me falou que a máscara era baixa e não estava na orelha. Quando ele olhou para a lateral do meu lado direito, percebeu que eu não tinha a orelha e ficou muito sem graça”.
“Poderia chamar gerente, fazer escândalo e seria uma coisa muito chata, mas eu simplesmente expliquei o porquê da minha máscara ser assim, virei e mostrei para ele. O que eu acho é que a minha postura fez ele entender, mas foi constrangedor ter que explicar uma coisa que é visível, que não tem porque eu explicar”, desabafa.
Diagnóstico
A professora afirma que, apesar de ter nascido sem uma das orelhas e com baixa visibilidade no olho direito, apenas descobriu o diagnóstico aos 37 anos após passar por diversos especialistas. Segundo Juliana, o fato de ter boa vivência pode ter feito com que os médicos ignorassem a falta do membro.
Após ser atendida por um especialista buco maxilofacial, a professora descobriu que possui a má-formação. Para Juliana, o quadro ainda é cercado por preconceito. “Em um concurso público, por exemplo, não me considero nem uma pessoa normal e nem deficiente. É muito fácil as pessoas julgarem, mas eu sei pelo que eu passo”.
“Foi uma infelicidade do segurança, o supermercado sequer teve culpa de nada. Foi um momento de impulso e pode não ter sido de maldade, mas me deixou constrangida. Nem todo mundo age com maldade, quer prejudicar o outro, nem todo mundo quer aparecer, é preciso de um pouco mais de empatia e amor no coração e a gente tem que se orgulhar de quem a gente é”, finaliza.
O G1 entrou em contato com o mercado para falar sobre o caso mas, até o fechamento desta reportagem, não houve retorno.