Morte de homem de 28 anos, no sábado (12), por volta de 11h, no conjunto Açucena, teria sido o estopim das mortes em cadeia, em Macapá. Conflito entre facções resultou em quase 10 mortes no final de semana em Macapá
A Polícia Civil do Amapá confirmou que os 9 assassinatos num intervalo de 16 horas no fim de semana em Macapá, foram motivados por conflitos de grupos criminosos rivais. A primeira morte aconteceu no sábado (12), por volta das 11h e a última no domingo (13), às 3h.
A corporação informou que quase todos tinham passagem pela polícia, ou cumpriam pena, e que todos tinham algum tipo de envolvimento com o crime organizado, responsável pelo tráfico de drogas no estado.
Policiais fizeram buscas no local, mas ninguém foi encontrado Amapá macapá viatura PM polícia militar
Caio Coutinho/G1
Para o delegado Dante Ferreira, titular interino da Delegacia de Crimes Contra a Pessoa (Decipe), o assassinato de Wendel Saraiva Pinheiro, de 28 anos, que aconteceu por volta de 11h de sábado (12), no conjunto Açucena, Zona Sul da capital, teria sido o motivo das outras mortes, em forma de vingança, desencadeando o conflito.
“O que parece que aconteceu, pelo levantamento policial, tanto no local da morte quanto em redes sociais, que é um dos grandes canais da polícia, é que houve uma morte de manhã, de uma determinada facção e a rival resolveu dar o troco, daí começaram as mortes. No final, levou a 9 ocorrências, um efeito dominó”, detalhou.
Dante Ferreira, delegado da Decipe
Caio Coutinho/G1
Ferreira citou que o volume de crimes num curto tempo choca não somente a população, mas as próprias forças de segurança pública. O delegado também falou que morreram pessoas de duas facções, e, provavelmente, de uma terceira. Ele declarou que até o momento não foi constatada a morte de nenhuma pessoa fora desse conflito.
“Nunca tinha visto tantos homicídios de uma única vez aqui em Macapá. Possivelmente as forças de segurança pública do estado vão se reunir para se empenhar em evitar uma quantidade absurda de morte em uma única noite”, frisou.
Paulo Moraes, delegado responsável pela investigação
Caio Coutinho/G1
O delegado Paulo Moraes, também da Decipe, responsável pela investigação, também contou que foi a primeira vez que pegou um caso como esse. Segundo ele, as mortes foram muito similares e, em quase todas, as vítimas receberam disparos no rosto e foram atraídas pelos executores.
“Outra similaridade foi a forma de como as pessoas foram atraídas. Umas delas, o rapaz estava em um aniversário, chamaram ele na frente de casa e o executaram, outro tinha recebido uma mensagem no grupo de conversa de que ele teria morrido, daí ele foi na casa da mãe, avisar que não era ele e na volta tinha uma dupla em uma moto esperando por ele na entrada da ponte e ele foi executado”, explicou.
Moraes ainda lembrou que enquanto atendia uma ocorrência na rua, ela já estava sendo solicitado por outra, que acontecia no mesmo momento, em outro local da cidade.
Teleatendimento do Ciodes registrou 9 homicídios em 16h
Rita Torrinha/G1
Para Ferreira, falhas de segurança no sistema prisional, como o uso desenfreado de aparelhos celulares por parte dos detentos, fazem com que crimes como esses aconteçam com mais facilidade.
“O sistema carcerário não tem conseguido evitar a comunicação de criminosos de dentro do presídio com os de fora e vice-versa, esse trânsito de informações, por vezes facilitada, gera esse tipo de ocorrência, por que a maioria dos líderes de facção cumprem pena na cadeia, mas conseguem passar ordem para os liderados que estão do lado de fora”, detalhou.
Os tipos de armas usadas ainda não foram identificados. A perícia da Polícia Técnico-Científica deve descobrir quais eram, a partir de cápsulas encontradas no local do crime.
A polícia conta a colaboração de todos para a solução e prevenção de crimes. Para contribuir sem se expor, a pessoa pode acessar o site da Polícia Civil ou ligar para o Centro de Integrado de Operações de Defesa Social (Ciodes), pelo número 190.
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