Operação do Ministério Público tem objetivo de desarticular atual comando da facção e lavagem de dinheiro feita por meio de esquema no Paraguai e na Bolívia Operação da Rota e Gaeco cumpre mandado de prisão para homem apontado como líder de facção criminosa em Praia Grande, SP
G1 Santos
Um dos alvos da operação do Ministério Público de São Paulo, deflagrada nesta segunda-feira (11) contra o PCC, facção criminosa que atua dentro e fora dos presídios, foi baleado e morreu durante troca de tiros com policiais em Praia Grande, no litoral de São Paulo.
Segundo o Ministério Público, o alvo tinha o controle e as contabilidades de todos os setores da organização criminosa e foi surpreendido em um apartamento na Avenida Ophelia Caccerari Reis, no bairro da Aviação.
De acordo com o MP, o suspeito teria reagido à ação, que tinha como objetivo cumprir um mandado de prisão contra ele. Após o confronto, o homem foi socorrido pelos policiais mas não resistiu aos ferimentos.
No imóvel, as equipes do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e da Polícia Militar apreenderam explosivos, além de documentos da contabilidade da facção. O Grupo de Ações Táticas Especiais (GATE) da Polícia Militar também foi acionado para desativar os explosivos.
Operação aconteceu na manhã desta segunda-feira (14).
G1 Santos
Operação Sharks
De acordo com o Ministério Público, o objetivo da operação deflagrada nesta segunda-feira é a prisão dos criminosos que assumiram o controle da facção, depois que os principais chefes foram transferidos para presídios federais, em fevereiro de 2019.
Os investigadores apontam que o atual comando seria composto por 21 pessoas. Alvos foram identificados vivendo na Bolívia, no Paraguai e até na África. Ao todo, são cumpridos 12 mandados de prisão para suspeitos que estão nas ruas, e 40 mandados de busca e apreensão, todos no estado de São Paulo.
A operação também tem como alvo a prisão dos homens que teriam sido encarregados por Marco Williams Herbas Camacho, o Marcola, para executar Gakyia. O promotor foi o responsável pelo pedido de transferência dos chefes do PCC para presídios federais no ano passado. Em agosto deste ano, Marcola se tornou réu pela acusação de dar ordem para matar o promotor de Justiça e o chefe de presídios paulistas em 2018.
Na semana passada, o Departamento Penitenciário Nacional voltou a encaminhar um relatório de inteligência ao MP paulista dizendo que Marcola insiste no plano de assassinar Gakyia. Marcola teria ameaçado matar os criminosos que não conseguissem cumprir essa ordem.
Operação mira criminosos que planejavam executar responsável por transferência de presos
Esquema
Além das prisões, a operação tenta desarticular um esquema de lavagem de dinheiro feito por meio de dólar-cabo (operação de câmbio informal, na qual são realizadas transferências internacionais de valores mediante compensações, sem respeitar as normas do sistema financeiro nacional) no Paraguai e na Bolívia.
De acordo com o MP, planilhas apreendidas pelos investigadores apontam que a facção movimenta cerca de R$ 100 milhões por ano, principalmente com tráfico de drogas e arrecadação de valores de seus integrantes.
A operação é comandada por uma força-tarefa formada por oito promotores de Justiça de diferentes regiões do Estado, com apoio de policiais militares da Rota.
Os presos e os objetos apreendidos devem ser levados para a sede do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), no Centro da capital paulista, mas devem ser transferidos para presídios de segurança máxima na região de Presidente Prudente (CRP de Presidente Bernardes e Penitenciária 2 de Presidente Venceslau) ainda nesta segunda.