Vivendo na Europa para estudar, William Cantareli sentia muita saudade dos ensaios e passou a se apresentar pelas ruas das cidades por onde passava nas férias

Chegando no país estrangeiro e já com saudade dos intensos ensaios com os grupos de danças tradicionais, começou a planejar uma viagem que viria a unir diferentes culturas. Assim que entrou em férias da faculdade, ele juntou suas economias, colocou os apetrechos tradicionalistas em um mochilão e partiu para realizar o sonho de conhecer a Europa e de deixar a marca do Rio Grande do Sul por onde passasse. Começou por Portugal e, lá mesmo, viu que o retorno do projeto seria incrível. A cada apresentação pelas ruas das cidades por onde passou, reuniu dezenas de curiosos e arrancou muitos aplausos. A seguir, partiu para a França, Bélgica, Holanda, Alemanha, República Checa, Áustria, Eslováquia, Itália e Espanha. Para cada apresentação, ele se vestiu a rigor, estendeu a bandeira do Estado, apoiou o celular na mochila, deu o play e começou a dançar:

— A reação das pessoas era de surpresa. Elas estão acostumadas a apresentações na rua, mas não a uma dança como a chula, feita por uma pessoa vestida com trajes típicos. Todos ficavam olhando os movimentos, perguntando sobre o figurino. Quando eu falava que era uma dança típica do sul do Brasil, eles diziam que só conheciam o samba.

Uma das lembranças mais marcantes para William, que segue vivendo na Europa, foi a interação que teve com uma senhora alemã que, ao ver sua dança, veio imediatamente perguntar por que ele dançava como se tivesse algo entre os pés. O jovem então explicou que originalmente, para a chula, uma vara de madeira, a lança, é colocada no chão e os dançarinos executam diferentes sapateados, avançando e recuando sobre o objeto. Interessada, a senhora seguiu perguntando sobre a cultura gaúcha e acabou recebendo até uma aula sobre a Guerra dos Farrapos.

— Toda a experiência foi muito gratificante, mesmo com as dificuldades impostas pela pandemia, consegui fazer a viagem de forma segura e mostrar a nossa cultura para centenas de pessoas — orgulha-se William.

Bailarino une a música aos costumes regionais

A desenvoltura que William esbanja ao se aventurar sozinho dançando chula pela Europa tem uma explicação. Bailarino no CTG Sentinela da Querência desde os 10 anos, ele já está acostumado a subir nos palcos. É premiado em mais de 60 festivais de chula no Estado do Rio Grande do Sul, já se apresentou internacionalmente, é finalista do Enart e do Rodeio Internacional da Vacaria e, no último ano, foi vencedor — com o grupo Triopacito —, do quadro Conga La Conga, do Caldeirão do Huck

Foi a partir da formação desse trio, de forma despretensiosa em 2017, que o jovem viu o grande alcance que poderia ter unindo criatividade com tradicionalismo. Junto com o gaiteiro Guilherme Taschetto Tavares e o sapateador Leonardo Brizolla De Mello, veio a ideia de fazer uma paródia gaudéria da música Despacito, do porto-riquenho Luis Fonsi, que estava então no auge do sucesso. Colocaram a pilcha, pegaram os instrumentos e gravaram um divertido vídeo que logo foi compartilhado nas redes sociais.

— Com o nosso vídeo, que reuniu a gaita e a dança gaúcha adaptadas ao sucesso de Luis Fonsi, alcançamos mais de 7 milhões de visualizações no Facebook em apenas dois dias. Foi um baita sucesso — relembra o jovem.

Segundo William, a trajetória percorrida até agora o orgulha por demonstrar que é possível, com criatividade e dedicação, levar as vestimentas, os movimentos e as histórias gaúchas para o restante do mundo. Após completar essa bem-sucedida aventura pelos dez países europeus em setembro de 2020, que compartilha na sua página no Instagram, ele já começa a planejar as próximas viagens. Só que, para essas, vai aguardar passar a pandemia.  

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